“A capa do EP do Tamyris Moiane e a necessidade de valorizar a identidade afro-moçambicana” – Daniel Matlombe

A recente capa do EP da cantora, moçambicana, Tamyris Moiane, está a gerar discussões e reflexões sobre a representação da identidade africana, especialmente no que diz respeito à estética e padrões de beleza. No entanto, é crucial analisar essa questão de maneira cuidadosa e promover um diálogo construtivo sobre a diversidade e a riqueza cultural do continente africano, especificamente no país.

O ponto de partida para a minha crítica foi a ausência de uma identidade visual clara na capa da EP e por não ter incorporado elementos culturais africanos, a capa contribui para um cenário onde as crianças e adolescentes crescem sem uma identidade africana sólida.

Acho que essa preocupação é válida, uma vez que a representação visual desempenha um papel fundamental na construção da autoestima e na promoção de uma identidade cultural positiva e uns dos exemplos é a capa do álbum “Mutchangana” pertencente a Assa Matusse e da EP “African Boy” de Twenty Fingers.

Ela pode não ser culpada, pois há muita pressão social no país e em outras partes da Africa, onde a ideia de beleza está, por vezes, associada à utilização de próteses e perucas, e isso perpetua um padrão de beleza inalcançável para muitas mulheres, sugerindo que sem esses adornos, a beleza natural não é reconhecida.

Em outras palavras, as mulheres africanas, actualmente, para serem consideradas “lindas“, precisam aderir a determinados padrões estéticos europeus, onde o cabelo e a clareza e mais importante que a identidade cultural, muitos vão dizer que as coisas mudam o mundo está desenvolvido, mas quero que saibam que uma sociedade sem identidade cultural não se destaca.

A sugestão é que a cantora poderia ter destacado o conceito “Golden” de maneira diferente, mantendo sua carapinha e talvez adicionando elementos que celebram sua herança afro-moçambicana, é uma proposta válida. Isso não apenas enfatiza o conceito desejado, mas também contribuiria para a quebra de estereótipos sobre a beleza.

Em última análise, o debate em torno da capa do EP da Tamyris é uma oportunidade para ampliar a conversa sobre a importância da representação positiva e autêntica da identidade africana. Devemos buscar compreender, dialogar e promover uma apreciação mais profunda da diversidade cultural que enriquece nosso continente.

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