Conheça os bastidores da terceira temporada da novela Maida

Texto e Foto: Izidro Dimande

Nesta terceira temporada, nos bastidores da Maida, fomos à conversa com a produtora Gabriela Ueno e o guionista Elton Pila, destes soubemos de partes do que Maida se tornou no mundo cinematográfico. Maida é a novela que passa na plataforma DSTV e GOTV para os que têm o serviço, os como eu, somos agradecidos com eventos do gênero ocorrido na noite do dia 16, na cidade de Maputo, em partes, soubemos de como ela funciona e chega às nossas tvs. Participei da apresentação dos dois capítulos desta 3ª temporada, no qual vi, traços de um sucesso, observei melhorias em alguns aspectos comentados, como já me referi acima, não estou ainda dentro da plataforma. Maida vive em residência de cada moçambicano, transpõe momentos de tristeza, fúria, raiva, cobiça, alegria, drama e comédia, tudo em cenas elaboradas e produzidas por uma equipa comandada pela bela mulher do Atlântico e do Índico. Sobre o enredo, Maida está a altura, constrói-se em capítulos, dá vida aos personagens e figurantes, regressa a sala cheia de tensão para que no dia seguinte a crítica não escamoteie o esforço dos demais envolvidos.

Maida, segundo a produção, é a novela, peca por alguns aspectos que não me deixam eufóricos, a direcção de maquiagem, para início da crítica, pareceu-me fraca, em aspectos simples de beleza, talvez porque a assistimos em uma tela Ultra HD, onde as imagens são tão nítidas que qualquer verruga cai-nos nos olhos. Noutra, a direcção responsável pelos cabelos, sim, os cabelos representam o nosso dia-a-dia feminino, a beleza da mulher está no trato perfeito do seu cabelo, reparei nestes 2 capítulos uma falta de mudança nos penteados dos personagens frequentes, só a Maida, a actriz principal altera-se com perucas que a deixam linda, deslumbrante com qualquer traço de vestuário no seu corpo esbelto. A Irmã Xiluva é o meu pessimo exemplo no tratamento do cabelo, acompanha-a senhora colaboradora da lavandaria e, sua amiga, feminista. Nota positiva dou também a empregada no tratamento do cabelo e do vestuário, as cores quentes que coloca nos momentos de folga, transmitem muita energia e simboliza a paixão e o amor.

O vermelho é também associado ao poder e à violência. É conhecida por estimular a circulação e melhorar a autoestima, para os cristãos têm ligação com o “pecado” e a tentação. Caso para encontrar uma simbiose na relação com o profeta. O azul da sua blusa está relacionado com a nobreza e costuma ser usada para transmitir harmonia, tranquilidade e serenidade. Por ser uma cor fria, às vezes é associada à monotonia e depressão. No trabalho a ́ ́empregada“ traja-se de branco, pureza, paz e limpeza e o preto, respeito, morte, isolamento, medo e solidão, com contornos em amarelo na blusa. Gostei imenso do uso de trajes da capulana, aí está a nossa identidade espalhada pelo mundo através da tela.Trago essa significação das cores para relembrar que tudo colocado em uma cena na Maida não é propositado, tem informação que nos coloca a prova. As cores são a alegria das imagens, podem despertar certas sensações, por isso, elas têm significados diversos. Este interlim serve ainda para a maquiagem, confesso que não gostei, a Maida é a única, volto a dizer, a única mulher bem ´´pintada“ outras não a usam com intensidade. Mas há coisas boas nas conversas entre os personagens, contracenam sem foco nas câmeras, há rostos que se adaptaram às câmeras e as posições das cenas.

A direcção de som, merece as vênias neste artigo, comentar à mais seria ridículo, esta, dá a novela alegria aos ouvidos. E os planos de imagem, alguns vão sendo melhorados, por vezes tem-se a sensação que o cameraman está cansado em relação ao actor. Para Gabriela, “Maida” é uma novela feita por uma equipa de produção cem por cento moçambicana, uma miscelânea de actores com alguma experiência ou com muita experiência, diz-nos que está a preparar a nova indústria de actores a médio e longo prazo. Foi um desafio muito grande, muitos não acreditavam que pela dimensão do projecto não chegar-se-ia onde está, que seria um flop. ´´Mas demos a volta e demonstramos que tudo é feito localmente, gravamos 5 episódios por semanas, esta qualidade da novela está acima da perspectiva, com actores nacionais e, hoje as pessoas acreditam que somos capazes de produzir conteúdos próprios do nosso país, mas isso só será possível se todos nos ajudarmos uns aos outros, tivemos sim derrapagens no processo, mas com, um por todos, todos por um, temos seguido em frente, este é o nosso segredo, estamos já em 7 países“. Maida por ser a primeira telenovela nacional, tem desafios que devem ser cumpridos, não é uma série que podemos tratar de algo de um outro país, a Maida está consagrada de ser a novela, revisito esses aspecto, porque trouxe o dia-a-dia da vida urbana de Maputo, e Moçambique. Através do personagem – o profeta – podemos conviver com as cenas à cada porta do nosso bairro, há uma igreja fantoche, vimos a história da dona Tina que sofre muita violência doméstica, tratamos de forma muito subtil (penetrante), é uma critica que trouxemos, a mãe Megue retrata esse abandono que os homens tem dado as nossas mulheres em Moçambique, ela trata dos seus 3 filhos sem interrupção ou consulta de ninguém, é uma mãe protectora e rigorosa.

Hoje, vai já com 408 capítulos, a meta é filmar-se até o capítulo 450 nesta temporada, mas ela não termina aqui. A Panavideo sabe da sua continuidade num período de 6 meses antes de terminarem as gravações ou publicações, a MultiChoice avisa se continua ou não. Maida, por incrível que pareça começou a fazer sucesso fora do país, porque estava em um pacote mas restrito e começou a ser emitido na francofonia, nesta altura, os actores começaram a receber notas e ou comentários nas suas redes, foi assim que ela entra nos pacotes actuais, entra em Angola tarde, mas já com este sucesso e felicidade.

São essas notas que me fazem repisar sobre as locações, em uma novela, manter as cenas só dentro de 4 paredes, cansa a vista, parece a novela mexicana, é preciso explorar as ruas, os mercados, as belas praias, a gastronomia que identifica-nos, como a galinha cafreal, se não confunde-se a novela com o teatro. Em um momento do capítulo apresentado, a empregada mexe uma panela de papas na cozinha, esperei ver fumo ou vapor, esperei tanto que ela tampa a panela sem nada, do fogão eléctrico, o vermelho da chama, deslumbrei no meu cérebro. A Sónia pareceu-me a detetive, pergunta com exatidão as cenas do crime cometido pelo Justo e é depois traída outra vez, pela equipa de maquiagem, entra em cena na visita que efectua a amiga, com as sovaqueiras em riste de uma camada branca do seu rolon! O seu traje é perfeito (aplausos). O guarda-fato pode-se melhorar, nos 2 capítulos pareceu-me a década 90, em que as vestes eram ao gosto de cada identidade física-artística.

Nos bastidores textual, encontramos uma dupla de jovens, no qual o Elton Pila, afirmou ser um desafio escrever cada guião, ´´apesar desta ligação que damos, com uma espinha dorsal de cada episódio, tentamos construir uma história que fosse atrativa para os telespectadores moçambicanos. Nossa meta é escrever 1 guião por dia, e de segunda à sexta, temos de apresentar 5 guiões, somos 2 guionistas, mais uma equipa externa (fora de Moçambique), os textos circulam entre nós com uma rapidez, revisão, correcção e execução até as cenas de filmagem. Há uma variedade de actores que vemos na Maida, actores que apresentam o guião de como o escrevemos, captam a primeira, e há aqueles que não conseguem, não são crucificados, porque é um guião e estão livres de alterar certas palavras ao longo da conversa. O guionista considera-se culpado do que assistimos. Para mim, Maida abriu um novo nicho de mercado para guionistas, vamos ou vou sim, continuar e pensar que essas ferramentas vieram para mudar o cenário do cinema nacional“.

E regressaremos aos nossos bastidores com outros argumentos para que o cinema nacional continue trilhando esse sucesso mágico na DSTV.

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