“Mr. Bow e o Cancelamento” – Ariel Sonto
Por: Ariel Sonto
Quando iniciou a campanha de cancelamento, muitos iluminados disseram que cheirava a inveja e outros desdéns afins. Que nada! O cancelamento surge quando parte de determinado público não se revê nalguma postura do seu ídolo e, entendendo que este anda afastado, também segue o mesmo caminho, numa de que queremos lhe ver.
Bow experimentou a fúria popular, mas soube ser aconselhado ou gerir melhor a situação. Seguiu para a direcção do seu público zangado, afinal diz ser povo e artista do povo. Não podia se dissociar do mesmo. A mulher de César deve ser honesta e parecer honesta, simultaneamente.
A sua recente música “Hitwa Kuvava” (sentimos dor; dói-nos) é um manifesto claro da reconciliação que pretende com o público. Retrata a calamitosa situação actual do trabalhador moçambicano: trabalha maningue, mas o que ganha não responde ao poder de compra. Mensagens como “trabalhamos duro e nada ganhamos” são formas de dizer que também sinto a vossa dor…
É uma crítica social bem conseguida, mesmo ao espírito dos Azagaias desta vida. Olhou também para o timing – vésperas do 1o de Maio. Juntou o útil ao agradável. Claro que será o hit do dia em todas as esquinas onde os sofridos trabalhadores estarão a afogar as mágoas. É uma combinação de boa batida e mensagem que lhes toca.
Ora, fica claro sobre a postura pública que os artistas devem tomar.










