Killo Bizzo: “As pessoas não sabem o que querem, exporta-se o Pandza que é nosso, elas não gostam…”

Por: Killo Bizzo

Eu estava sentado, relaxado, a navegar na internet e decidi entrar no Facebook, concretamente, na página do Fred Jossias Show, para ver se podia colher alguma matéria de interesse público. Sabendo que, naquele canal, podia, mais uma vez, apanhar alguma notícia, uma vez que é lá onde desfila maior número de cantores moçambicanos, tendo em conta que o P.C.A daquela estação televisiva é apologista da música de Moçambique, então eu tinha a máxima certeza de que sairia algum artigo para escrever.

Para a minha surpresa, deparei-me com um assunto que estava a dar de falar nas redes sociais e em convívios sociais, durante a semana passada.

Assisti, e o que chamou a minha atenção foi o facto de que nós moçambicanos estamos a criticar os cantores nacionais, que estiveram a representar a nossa cultura e música, com mais destaque para o Valdemiro José e Mr. Kuka. Este último, é quem mais está a levar porrada nas redes sociais, por ser um fazedor de um estilo musical 100% moçambicano, e por ter cantado “Dá ou não da”, que segundo os internautas, esta carrega um conteúdo fútil para estar naquela exposição, mas isso não constitui a verdade. Eu fiquei like: “caraças, esse people’s não sabe o que quer, exportam o Pandza que é nosso, mas ele não grama, quer escolher artistas da time”, prontos, ouvi o comentário do Zainadine que defendia aquele ritmo feito por Mr. Kuka e os demais.

Fiquei excitado pelas verdades ali ditas e comecei a gostar dos seus posicionamentos e conclui que ele estava coberto de razão e decidi expor a minha opinião.

Vamos lá fazer as seguintes questões: o quê é uma exposição e o quê é exposto? Qual é a música e o estilo musical a levar? De certeza que seria o Pandza, a Marrabenta, algumas danças como o Mapiko, Makuayela, Ngalanga, Xigubo, Tufo, Nhau, Xingomana, Niketxe, Nhambaro, Maulide, Xingombela, Zoré entre outras que são identidades moçambicanas.

O Pandza, mistura de Reggaeton e Marrabenta, é um estilo dançante, conforme nós africanos gostamos e foi criado por uma camada juvenil. O seu conteúdo é muito educativo, na maioria das vezes, conforme “Uma cerveja um bloco”, “Batata” etc. Mas nós não queremos que os jovens vendam o nosso, queremos que a velha-guarda sempre tenha espaço para nos representar, e nós a nova geração? E nós que estamos a trabalhar e dar as caras constantemente?

Finalizando, devemos aprender de uma vez por todas que, num evento daquela magnitude, o corretíssimo é ir expor a cultura moçambicana, dar ao César o que é do César. Faz sentido que a nova geração, que mais investe em novos videoclipes, novas músicas, imagem e mais alguns acréscimos, seja representada por aqueles que levam décadas sem lançar algum material novo? Por aqueles que sempre querem ser procurados e não procuram, porque acham-se mais velhos? Não vê que noutros países a nova e a velha escola está na mesma faixa musical constantemente, e que o patriotismo e a união estão acima do orgulho? Viram o sucesso que Ardiles e Ghorwane fizeram? Não vou falar do DJ AD e António Marcos, não é lindo de se ver aquilo?

Não há espaço para discutir preferências, muito menos a geração merecível. Querem que venha mais um Geobek visionário para lapidar mais talentos novos cá? Ponham-se a reflectir.

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