O que é um álbum de músicas de entretenimento e o que é um álbum conceitual?

O que é um álbum de músicas de entretenimento e o que é um álbum conceitual?

- in Curiosidades, Opinião
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Por: João da Diamantina

O objectivo deste trabalho é discutir a existência de dois tipos de álbuns musicais (álbum conceitual e álbum de música de entretenimento) e estabelecer as respectivas diferenças tendo como base alguns autores. Para tal, iremos usar dois álbuns nomeadamente “Cubaliwa” de Azagaia e “Panamera” de Preto Show.

Esta análise ocorre numa altura em que “a crise da noção de álbum vai deixando de ser o objectivo central da indústria ou a mercadoria mais valorizada nesta dinâmica de produção e consumo” (HERSCHMAN, 2010, p.04).

É importante referir que com este trabalho não se pretende denegrir nenhum artista mas sim mostrar a diferença entre os dois tipos de álbuns.

Para podermos caminhar da melhor maneira achamos de bom-tom definir os conceitos “Conceitual” e “entretenimento”. O dicionário Informal define “conceitual” como formulação duma ideia por palavras, pensamento, ideia, que goza de conceito. Por sua vez, define-se entretenimento como divertimento; o que diverte e distrai; o que e feito como diversão ou para entreter.

 A partir da definição destes dois termos, percebe-se que há uma separação, uma comporta uma ideia mais seria e outra uma ideia meramente de diversão.

O álbum conceitual deixa de ser uma coleção de músicas heterogéneas para tornarem-se em obras narrativas e há também a ideia do anti mercado. O álbum de música de entretenimento transporta um cunho mais leve, a grosso modo, surge para responder as exigências do mercado e a distribuição das musicas no mesmo, em muitos casos não tem obedecido nenhum parâmetro, apenas dispostos em sua heterogeneidade.

Vamos analisar os dois álbuns de forma isolada, desde a disposição das músicas até a própria capa. Vamos começar por analisar o Álbum “Cubaliwa” de Azagaia:

O álbum conceitual deixa de ser uma coleção de músicas heterogéneas para tornarem-se em obras narrativas e há também a ideia do anti mercado. O álbum de música de entretenimento transporta um cunho mais leve, a grosso modo, surge para responder as exigências do mercado e a distribuição das musicas no mesmo, em muitos casos não tem obedecido nenhum parâmetro, apenas dispostos em sua heterogeneidade.  Vamos analisar os dois álbuns de forma isolada, desde a disposição das músicas até a própria capa.

Vamos começar por analisar o Álbum “Cubaliwa” de Azagaia:

O Álbum

O álbum Cubaliwa é o 2º álbum do rapper moçambicano Azagaia, foi lançado no dia 9 de novembro de 2013. Cubaliwa é uma palavra da língua Masena, que significa nascimento ou nascer, língua local falada na região central de Moçambique, Manica e Sofala, este último que é conhecido como um dos berços da resistência em Moçambique. Cubaliwa também é uma palavra da língua Ronga, e com um significado semelhante nas línguas Changana e Xitsua; significa escrita ou está escrito. Isso resume o conceito deste segundo álbum de Azagaia.

As faixas

  1. ABC do Preconceito
  2. Calaste
  3. Maçonaria
  4. Miss e Mister Moçambique
  5. Cães de raça
  6. Carne de Canhão
  7. Começa em ti
  8. Subir na vida
  9. Homem bomba
  10. Pais do medo
  11. Revolução já
  12. Wa gaia

Nas 12 faixas deste álbum, a primeira impressão que podemos retirar é que as músicas obedeceram certo critério para a sua distribuição e podemos dizer também que o conceito de álbum conceitual definido por Shuker ganha espaço, quando ele diz que são “unificados por um tema que pode ser instrumental, compositivo, narrativo ou lírico. Este álbum tem várias componentes que o colocam como conceitual mas o que se destaca é unidade narrativa, parece existir uma linha imaginária que liga uma música a outra,” essa ligação manifesta-se não só nas letras, mas também na capa do disco e na roupa usada pelo cantor nos shows, criando uma unidade entre os diversos elementos que compõem a história.” (Waltenberg, 2013)

Em linhas gerais, este álbum faz um apelo a um nascer de novo, mudança de mentalidade, despindo males como corrupção, preconceito, racismo e tribalismo. Esta mudança iria acontecer por vias da educação. Esta mudança só pode acontecer através da Educação, daí a necessidade de escolher e valorizar o que é escrito por moçambicanos e todos os que contribuem para o conhecimento global. O artista apela ainda para uma juventude mais activa com uma identidade, juventude com uma visão ampla do mundo.

A Capa

A capa leva a imagem do artista carregada de muita simbologia e palavras que apelam ao renascimento, palavras como: camarão que dorme a onda leva, (…) sou da geração da viragem, quando azagaia fala abala entre outras. Esta imagem é rica em simbologia, é possível ver uma imagem de dólar, uma pessoa na machamba, entre outros simbolismos que não poderemos descrever neste espaço, reservando esta actividade para uma outra oportunidade. Mas com estes simbolismo podemos aferir que a capa também é uma componente que cria ligação gerando uma unidade entre os diversos elementos que compõem a história.

O segundo álbum que nos propomos a analisar é do cantor angola Preto Show

O ÁLBUM

O álbum Panamera pertence ao cantor angolano Preto Show, foi lançado ao 13 de Fevereiro de 2017. Panamera é um veículo de luxo, lançado pela Porsche em 2009. Tem motorização dianteira V6 e V8 feitos em stuttgart. Acredita-se que neste álbum faz-se alusão a este carro de luxo pelo prestígio que pode dar a pessoas que podem adquiri-lo. Geralmente pessoas que têm adquirido este tipo de automóveis são pessoas que financeiramente encontram-se estáveis. Seria essa ideia que o artista quis deixar?

AS FAIXAS

  1. Vou matar lá um
  2. Baixa mais um pouco
  3. Me dá na cara
  4. Vai rolar
  5. Hoje
  6. Abre o Motor
  7. Vai acabar com meu love
  8. Ta la dar

Nas 08 faixas deste álbum, numa primeira impressão pudemos percepcionar que a distribuição das músicas é menos rigorosa confrontando com o título (Panamera), se fosse para falar da ideia do álbum ou dar um título ao álbum através das faixas, sem ver o original, seguramente que as pessoas iriam escolher um nome muito longe do original do álbum, há uma distância muito grande entre estas duas componentes (Nome do álbum e a disposição das faixas). Entre as faixas parece-nos não haver uma ligação lógica das ideias, não se percebe o que se pretende transmitir com esse conjunto de músicas. Com isso percebemos que este tipo de organização de músicas é própria de álbuns de entretenimento.

A CAPA

Nesta capa, em oposição com a outra, não há muita simbologia ( quase não há nenhuma), esta carrega a imagem do artista especificamente a cara, com um jogo de cores de várias tonalidades. Aparece escrito o nome do álbum e do cantor. Não há nenhuma referência directa ao automóvel panamera da Porshe, não sabemos se o artista faz da sua imagem esta referência. ( conforme supracitamos).

Considerações finais.

Conforme o nosso objectivo, que é discutir a existência de dois tipos de álbuns musicais (álbum conceitual e álbum de música de entretenimento) e estabelecer as respectivas diferenças, os dados apresentados revelam que existem dois tipos de álbuns musicais, um com cariz mais conceitual e outro de viés de entretenimento. Segundo os dois álbuns que analisamos, percebemos que o álbum do rapper Azagaia é conceitual e o do cantor Preto Show.

O primeiro álbum toma esse cariz por ocupar os três eixos que um álbum articula defendido por Waltenberg (2003) que são a ideia de uma história amarrando as canções para contextualizar a obra, a sua construção sonora e os aspectos materiais da música. Ainda sobre este álbum quando a disposição das suas músicas, pensamos que não é uma colecção de canções diversas, mas sim, uma obra narrativa, com uma sequência de canções individuais em torno de um tema único, existe uma perspectiva, uma ideia que se pretende transmitir e com isso pensamos que álbuns conceituais tem maior probabilidade de resistir à passagem do tempo.

Quanto ao álbum Panamera de Preto Show, este segundo as análises acima feitas é um álbum de música de entretenimento, a organização das suas músicas não obedece a um critério rigoroso, a capa não tem uma ligação directa com as faixas. Carrega um cunho transitório, ou seja, pensamos que não resiste à passagem do tempo. Com esta análise, não pretendemos em nenhum momento, desvalorizar nenhum dos álbuns aqui analisados. A nossa intenção e mostrar a diferença existente um álbum de musica com conceito e sem conceito, os dois tipos de musica são de carácter artístico, houve concepção, houve etapas de produção em cada obra a diferença que nos cabia estabelecer era de nível conceptual.

Deixo aqui os links dos dois álbuns:

Referências Bibliográficas

SHUKER, Roy. Vocabulário da música pop. São Paulo: Hedra, 199

STIMELING, Travis. D. phrases and stages, circles and cycles: Willie Nelson and concept album. Popular music. Volume 30, Issue 03, 2011, pp.389 – 408

Waltenberg, Lucas. Perspectivas para pensar o álbum conceitual no cenário musical contemporâneo. Rio de Janeiro: 23 a 25 de outubro de 2013

HERSCHMANN, Micael. Indústria de música em transição. São Paulo: estacão das letras e corres, 2010.

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