“Mulheres de cinza” de Mia Couto chega na sua 4ª edição

“Mulheres de cinza” de Mia Couto chega na sua 4ª edição

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O romance intitulado “Mulheres de Cinza”, primeiro volume da trilogia “As areias do Imperador”, do escritor moçambicano, Mia Couto, voltou às platileiras na sua quarta edição, sob a chancela da editora da Fundação Fernando Leite Couto.

De acordo com o comunicado de imprensa enviado à Moz Entretenimento, este livro dá uma espécie de “introdução” ao enredo que ficciona os momentos derradeiros do império de Gaza e do seu Imperador Ngugunhane, que governou o segundo maior reino de África, dominando toda a região sul de Moçambique e parte do centro.

A fonte em alusão aponta ainda que, entre as razões para a impressão desta quarta edição, está o facto do crescente interesse de escolas de nível médio na obra, como parte das leituras obrigatórias no processo de aprendizagem.

Saiba mais sobre o livro “Mulheres de Cinza”

Pela voz de Imani, uma jovem da etnia Cicope cujo próprio nome já é uma pergunta existencial, o livro conduz o leitor pelos espaços e convivências do seu grupo étnico, em Nkokolani, com o oficial sargento Germano de Melo e as vivências palacianas.

A família de Imani faz parte dos VaChopi, aos quais alguns nutrem simpatia pelos portugueses e outros pelos Ngunis. Chikazi, mãe da narradora, é uma mulher corajosa e forte, nascida mais para o Sul que não teme a ninguém a não ser os despautérios e agressões do marido. 

Chikazi sofre de uma “doença” ou uma dádiva que não sente dor em seu corpo e finge para o marido que sente as dores quando ele lhe agride. Vive as angústias de uma mulher que sonha em voltar para sua terra natal. Após a morte do seu filho Dubula, ela cai em um profundo abatimento e acaba por tirar a própria vida em uma árvore.  

O pai de Imani (Katini) é um homem muito afinado às questões portuguesas e se dedicava a agradar aos lusitanos ao ponto de entregar a sua filha ao sargento Germano de Melo. Katini sonhava com o dia em que os portugueses venceriam os Ngunis. Se entendia português. 

Katini era um homem que arrastava a própria vida nas costas, o qual o álcool era o seu melhor aliado para esquecer a vida que levava em meio a uma covardia de se reconhecer como um africano sob os domínios de uns e de outros. 

O pai da protagonista desta trama, era um excelente tocador de marimbas e era ele mesmo quem as fabricava e esse era um dos poucos orgulhos que ele tinha. Para ele a leitura era algo que o diferenciava dos nativos, era algo que o definia, sentia-se que tinha estirpe como os portugueses. Ele não sabia ler, somente ensaiava poucas letras e frases mal formuladas. 

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