“Mr. Bow começou a perder a sua identidade”-Daniel Matlombe

“Mr. Bow começou a perder a sua identidade”-Daniel Matlombe

- in Música, Opinião

Por: Daniel Matlombe

A identidade cultural deveria ser tema de grande debate na nossa sociedade, pois quando a revelamos, manifestamos uma herança poderosa, que nos deixa livre para ser quem somos em todos os sentidos.

“Se queres entender a profundidade da música Africana centra a sua visão na melodia e depois na composição.” (Papa Wemba. 1997)

As vezes perdemo-nos quando esquecemos daquilo que somos, com intuito de ser aquilo que achamos que é o certo ou que “está bater“, então espero que entendam! Isso não é uma crítica, mas uma observação. Qualquer um que tem olhos para “ver” e ouvidos para “escutar” deve ter notado a perda dessa identidade nos últimos trabalhos de Mr. Bow, que fazem parte do álbum “Story of My Life“, baseados nas histórias da vida daquele que é considerado como sendo um dos melhores cantores da actualidade, na indústria da música moçambicana.

Diz-se na media que o artista superou a si mesmo, por causa da qualidade dos trabalhos e do investimento feito na elaboração e na promoção do álbum, não posso tirar mérito disso, pois é visível e óbvio. Mas para os verdadeiros consumidores incansáveis da música africana, as músicas do trabalho discográfico “Story of my Life”, não tem muita diferença com o que é feito pelos os outros cantores africanos, como exemplo: Os da Tanzania, Nigéria, África do Sul, Gana, Quénia ETC.

Não é que eles não se inspiram nos outros, mas é notável que preservaram profundamente a “tradição” deles alma-música-ancestral” nas suas melodias.

Quem cresceu no seio familiar onde a música moçambicana é vital, sabe que as melodias acabam sempre por transpor a sua alma pela forma como podemos sentir e perceber esse fenômeno nas músicas que nos fizeram vibrar até “Guilhermina” e “Maria Rosa” perceberem que “Akuna Munwane“. Enquanto Mr.Bow dizia em voz alta que “Nitiketelile“, a cantora angolana Edmazia Mayembe, responde dizendo que “Ainda Vais Amar“, e no meio dessas juras de amor, “Bawito” promente morrer ao lado da sua amada com “Nitafa Nawena“.

O exemplo acima resume o que o cantor não conseguiu fazer com a maior parte das músicas que fazem parte do álbum “Story of my Life”, onde nota-se o empréstimo dos estilos “Bongo Flava” (Tanzânia),”Dancehall” (Jamaica) “Afrobeats” ( Nigéria), “Kwaito” (África do Sul).

Nota-se que King Bow juntou vários artistas de estilos diferentes no álbum “Story of My Life”, que é bom, pois dá oportunidade a outros cantores, mas tem uma particularidade que chamou minha atenção. Na maior parte das canções, Bawito entrega-se totalmente no som perdendo a sua identidade completamente, como nas músicas “Sthandwa Sami”, “Awuna Stress”, “Balance”, “Dede”, “Família”, entre outras, onde a nossa alma não conecta-se com as melodias que estamos acostumados.

Com isso tudo surgiu várias perguntas que o leitor poderia responder em forma de comentário: A definição da versátildade tem um relação com a identidade?

É possível ser versátil sem perder a sua identidade?

É preciso fazer o que outros fazem para conseguir entrar no mercado deles?

Será que não podemos ser reconhecidos em África ou na diáspora com nossa Marrabenta/ Pandza?

Vale lembrar que nas últimas semanas, pessoas que têm olhos, dizem os trabalhos visuais que Bow lançou recentemente são empréstimos de vídeos do cantor tanzaniano, Diamond Platnumz, da indumentária até aos pequenos detalhes. Mas este assunto vou deixar para a segunda parte do texto! Fique atento.

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