“Mercado da música moçambicana com escassez de álbuns por parte das cantoras” – Jeremias Gotine

“Mercado da música moçambicana com escassez de álbuns por parte das cantoras” – Jeremias Gotine

- in Opinião

Está mais que claro que o mercado da música nacional ganhou uma evolução grandiosa nos últimos tempos, com o surgimento de “novos talentos”, que trazem bagagem criativa nas composições, produções, assim como as suas fórmulas de fazer marketing, apostando 80% nas plataformas digitais, o que está a lhes valer um reconhecimento internacional num curto período das suas carreiras.

Contudo, também devemos olhar para o outro lado da história, antes que fiquemos hipnotizados pelo sucesso que pode vir a degradar, se não tiver lançamentos que marcam a carreira de qualquer artista, independentemente dos seus anos de estrada ou classificação nas categorias da “Nova Escola” e “Velha Escola”. Circunscrevendo exactamente no ponto de disponibilização de álbuns discográficos, aquilo que muitos consideram passaportes e ou identidade de um artista em todos cantos do mundo.

E como está patente no título em destaque, o mercado da música nacional regista escassez de álbuns por parte das vozes femininas, e isso de certa forma colabora para não competitividade das mesmas, e se for para classificar o “Melhor Álbum Feminino”, o prémio pode ser atribuído automaticamente para a cantora que tiver lançado um disco neste tal ano. Alias, parece que muitas cantoras moçambicanas estão “presas nos lares”, pois quando contraem matrimónios, os seus trabalhos artísticos andam em pistas, como se de uma estrada com muito engarrafamento se tratasse, para não dizer que ficam grudadas nas mesmas temáticas musicais, exclusivamente para lobolos, noivados, casamentos, tal como o amor que reina nos seus lares.

É sabido por todos que Moçambique não tem indústria de música, porém isso não justifica o facto das suas cantoras não lançarem colectâneas sonoras, porque quando entram nesta arena batem de frente com a realidade, todavia para manterem-se firmes no mercado precisam ter colocação de muitos produtos para impactar a concorrência. No ano passado, 2020, por exemplo, houve lançamento de vários álbuns, mais da comunidade masculina, com destaque para o movimento hip-hopiano, e os álbuns do lado feminino pertencem as cantoras Lukie e Tima, se a memória não me atraiçoa, algo que precisa ser olhado como um cancro para a arte nacional.

Se calhar eu tenha dado mais prioridade para álbuns neste artigo, ainda assim, o mesmo défice regista-se nas EP’s, pois as cantoras com um caminho andado não lançam esses projectos há muitos anos, e quase que as novas caras como: Tamyris Moiane, Cleyd Jandira, Percella, Melony, ficaram de proporcionar esses materiais para os consumidores da música da nossa pátria amada.

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