“Me ajuda a partir…parte parte…”- Dylon Ventura

“Me ajuda a partir…parte parte…”- Dylon Ventura

- in Crônica
Mal esperava o dia de ver de perto o casal que me fazia dançar sempre que ligava o rádio que o meu pai comprara, numa daquelas lojas de indianos. Era muito bom ter o aparelho e escutar as minhas músicas favoritas bastando apenas colocar a cassete e apertar o botão play, para ouvir a linda voz do Carlos e Zaida Chongo. Como não admirar aquelas melodias que só eles sabiam cantar?
As suas letras eram muito fáceis de se cantar, ainda criança conhecia quase todas, do meu jeito, de canto à canto. Quem as conhece que diga o mesmo. «Drenagem» era um hino nacional. Não há quem não tenha cantado. «Alfândega ?» Nem existem palavras suficientes para descrever! E é isso que me fazia não sossegar, queria ouvir de perto aquelas vozes que, quando se juntavam, saía algo brilhante.
Carlos e Zaida Chongo castigavam a minha ansiedade de poder vê-los de perto e poder aplaudir, várias vezes, as suas atuações naquele palco que o meu distrito tinha preparado para eles. Ninguém mais do que o governo poderia trazer aquele casal, para cantar para todos nós. Foi algo de bom que via naquele dia. Panfletos colados nos postes de energia, nas paredes de algumas lojas e, até, em algumas árvores. Era mesmo o dia mais feliz para mim como admirador e fã.
Finalmente, os dias aproximavam-se, mais uma vez, não via a hora de poder cantar com eles todas as músicas. O espectáculo tinha sido marcado para 21 horas, no Campo de futebol do meu distrito. Boa hora para se dançar, gritar e festejar!
Chegava a hora, entrei no Campo, comprei o bilhete e entrei todo ansioso para assistir ao espectáculo. Nas primeiras horas, entravam os convidados locais: Camal Givá e Magid Mussá, os pesos pesados da minha província. Estes cantaram até por aí 0 horas – hora que entrava, finalmente, o casal Chongo para aquele que seria o melhor espectáculo para mim.
Entraram com o seu jeito provocante, abriram a madrugada com a música « Drenagem », não existiria outra forma. Tinha que ser aquela música, todos sabiam cantar. Até parece que sabiam…como se tivesse sido propositado. De seguida, foi « Sibo »… subi ao palco, cantei e dancei com eles, chorei de emoção e gritei em voz alta para todos poderem ouvir, agarrando o microfone das moças do coro: me ajuda a partir, parte parte…
– O quê ?
– O quê ? O que foi, amor?
Era a minha esposa que me perguntava, muito preocupada, ao ouvir aquilo, naquela madrugada.
– Não estamos no espectáculo do Carlos e da Zaida Chongo?
– Tu também…isso já é demais!

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