Helena Pitoro fala da sua carreira e analisa o estágio da comunicação em Moçambique

Helena Pitoro fala da sua carreira e analisa o estágio da comunicação em Moçambique

- in Entrevistas, Notícias

Moçambique é um país muito rico em termos de talentos na área da comunicação, um exemplo claro é a Helena Pitoro, que carrega consigo diversas habilidades, nomeadamente apresentação de televisão, eventos e locução de rádio.

Recentemente, a Helena Pitoro concedeu uma entrevista à Moz Entretenimento, na qual fez uma retrospectiva daquilo que foi o seu ano de 2021, falou da sua carreira e deu a sua humilde opinião sobre aquilo que acontece no mundo da comunicação em Moçambique, actualmente.

De forma aberta e sincera, Helena Pitoro respondeu às nossas questões e tornou a nossa entrevista super interessante.

Acompanhe a seguir:

Moz Entretenimento (ME): 2021 foi, à semelhança de 2020, um ano desafiador por causa da pandemia que continuou não dando tréguas, pese embora vivemos momentos de alívio às medidas restritivas no âmbito do controlo da propagação da doença.

Helena Pitoro, como é que avalia o seu ano, tanto do ponto de vista profissional, académico, e familiar, caso se sinta  à vontade em falar?

Helena Pitoro (HP): O ano de 2021 foi memorável, peso embora tenha sido marcado por alguns desafios. Foi neste contexto desafiante que trouxe para o mercado a minha marca Helena Pitoro virada para a comunicação no seu mais amplo sentido. Desde o ano passado até cá, temos vindo, enquanto equipa, a trabalhar na construção de uma imagem  da Helena Pitoro, enquanto marca e figura pública que se assenta naquilo que são os objectivos a longo e médio prazo.

A nível académico, foi um ano bastante produtivo. Eu sou da opinião de que a formação acadêmica é essencial para o meu desenvolvimento profissional e de qualquer outra pessoa e/ou profissão, principalmente neste contexto actual de dinâmica social e constantes mudanças. Portanto, embora tenha me ocupado muito com assuntos profissionais, consegui manter o foco na minha formação, ao nível da escola, estando neste momento terminando o curso de Comunicação e Relações Empresariais no Instituto Superior de Comunicação e Imagem de Moçambique

A família é a base de tudo, pois, é nela onde encontramos o renovo. A família é a força vital para o alcance para a superação dos obstáculos da vida. Mesmo com tantas ocupações frutos das exigências hodiernas, sempre procurei manter o equilíbrio entre o trabalho, a escola e a convivência familiar.

Em linhas gerais, faço um balanço positivo do ano 2021.

ME: Quais foram os momentos altos e baixos da sua carreira, enquanto comunicadora, durante o ano de 2021?

HP: Por incrível que pareça, o momento mais alto marcou o fim do ano (risos). Fazer a emissão de transição de ano (2021-2022) na televisão de Moçambique foi, indubitavelmente, o momento mais marcante do ano 2021. Senti-me honrada em ser escolhida para uma responsabilidade tão grande e, ainda por cima, ao lado de Jorge Ribeiro, um exímio apresentador por excelência.  Foi, para mim, um privilégio.  Aquele é o momento mais alto para um canal no último do ano. Fiz a dupla com o meu colega Jorge Ribeiro é sempre  bom aprender com grandes profissionais. 

Um outro momento marcante foi, certamente, ter apresentado o programa Fica em Casa com Standard Bank, que era transmitido ao vivo. Foi uma série de espetáculos, ao vivo, com vários artistas nacionais. Isso marcou-me bastante. 

ME: Como conseguiu manter o bom ritmo de trabalho e superar os desafios trazidos pela  COVID-19?

HP: A responsabilidade e organização foi fundamental para mim, pois quando se está organizado a direcção é concreta. E com isso os passos são seguros, e os obstáculos que encontrava superava com calma e coragem acima de tudo. 

ME: Para além de locutora e apresentadora de televisão, Helena Pitoro é também mestre de cerimónias, tendo já desempenhado esta função inclusive em eventos oficiais do Estado, como também em eventos privados em ambientes familiares.

Como tem sido esta actividade de mestre de cerimónia, nos últimos dois anos, com a pandemia?

HP: Esta é uma actividade que como qualquer outra ressentiu-se muito da pandemia da CONVID-19, isto porque, com as medidas restritivas, houve cancelamento de muitos eventos como forma de evitar a propagação da doença. Foi extremamente difícil nos primeiros meses de pandemia, até diria no em todo 2020. Mas já em 2021, com um pouco mais de experiência de gestão da pandemia, houve um pouco de abertura, permitindo a realização de alguns eventos, ainda com pouco público. Isto serviu como um balão de oxigénio para nós mestres de cerimónias. Mas os desafios continuam, já que a pandemia ainda não chegou ao fim. 

Helena Pitoro como MC

ME: Nos últimos momentos temos assistido a um boom de mestres de cerimónias no Mercado nacional. Como olha para esta situação? 

HP: Vejo esta situação com alguma preocupação porque ser MC não é apenas segurar o microfone e falar. É preciso técnica, conhecimento e experiência sob pena de confundirmos uns aos outros.

ME: Sente que há qualidade nos MC emergentes?

HP: É complicado responder a essa pergunta, de forma exacta, afinal não estamos a analisar um MC em específico. São vários MC que surgiram e não se pode analisá-los usando o método dedutivo. Embora o cenário seja preocupante, existe um grupo de MC que tem qualidade. Não é tudo mau, não.

ME: Já foi MC de eventos oficiais do Estado, tal como nos referimos. Pode partilhar connosco como é ser mestre de cerimónia deste tipo de eventos? 

HP: É uma enorme responsabilidade. É fazer valer o voto de confiança por lá estar, fazendo o trabalho com a qualidade exigida.

ME: Que exigências Helena Pitoro faz a si enquanto MC?

HP: Organização, Qualidade, responsabilidade. Eu procuro sempre superar-me a cada dia que passa.

ME: Os locutores e apresentadores de televisão é outro grupo de profissionais que conheceu uma subida acentuada nos últimos anos, galvanizada pela entrada em funcionamento de muitos canais de televisão. Alguns desses apresentadores apresentam graves lacunas de Comunicação e até de cultura geral.

Qual é o seu comentário em volta disto?

HP: Extremamente preocupante. Se está a fazer muito pouco e insignificante para uma profissão tão nobre como a de comunicar. Os comunicadores têm um grande papel na formação das futuras gerações com a transmissão de bons valores e para a eliminação de comportamentos pouco aceites para uma boa convivência em sociedade. Mas o vemos, hoje em dia, são apresentadores sem conhecimento básico, de coisas básicas como capitais provinciais e, pior ainda, com graves problemas de ser estar. Estão em antena e comportam-se como se estivessem em um convívio qualquer, algures em casas de pasto. É lamentável e penso que quem é de direito deveria colocar um freio nisso antes que piore e seja tarde demais para reverter, porque, talvez, mais adiante, não saberemos o que é certo e errado, o que é ético e anti-ético.

ME: É necessariamente obrigatório que um apresentador de televisão ou locutor faça um curso de especialização? 

HP: Penso que sim. Por mais que seja um curso de curta duração, é sempre bom e necessário para ter domínio de técnicas básicas de comunicação, gestual e verbal. Portanto, eu defendo que, como qualquer área de actividade, a de apresentador e/ou locutor de rádio, deve passar por uma formação.

ME: Terá passado por uma formação?

HP: Sim, pelo Centro de Formação da Rádio Moçambique, e algumas outras formações foi pela IREX Mozambique.

ME: De todas as áreas da comunicação nas quais actua, qual é a que lhe dá mais gosto? E porquê?

HP: Gosto de fazer rádio. A comunicação com os ouvintes é mais emotiva. O impacto dos programas de rádio é diferente, cativante. O locutor prende a sua audiência  ou público através da voz. A rádio é uma caixinha mágica.

ME: Onde gostaria de chegar como comunicadora? 

HP: Heeeee o céu é o limite.

ME: Qual é o conselho que deixa aos seus colegas ou aspirantes a comunicadores? 

HP: Para os aspirantes a comunicadores não tenham medo das críticas, fazem parte do processo de crescimento. Atrevam-se mais e reservem-se a aprender.

ME: O ano de 2022 começou  bem há pouco, quais são as suas expectativas para este ano?

HP: Quero estar cada vez mais próxima dos que acreditam em mim e dos que acompanham a minha caminhada. Quero me superar e concretizar muitos planos para este ano.

ME: Quais são os seus projectos, seja a nível profissional assim como pessoal?

HP: Heeeee eu uma caixa de surpresas.

Assim foi o nosso bate-papo com a Helena Pitoro. O que achou?

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