“Fotógrafos e Marginalizaçao em Moçambique” – Mário Macilau

“Fotógrafos e Marginalizaçao em Moçambique” – Mário Macilau

- in Fotos, Opinião
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Por: Mário Macilau

Moçambique é um país com uma tradição muito forte ao fotojornalismo e a fotografia no seu campo amplo, enquanto isso o mundo em geral desde aos avanços significativos da tecnologia, a arte fotográfica esta muito comprometida devido a introdução da fotografia digital o que de certa forma segue o parâmetro vital (o que tem vantagens, tem também suas desvantagens).

Daqui a 50 anos ou menos provavelmente os jornais e revistas físicas já não vão mais existir porque o digital veio tirar a importância do interesse humano pelo físico, hoje em dia as pessoas possuem ferramentas que permitem ter acesso as imagens em formato digital, a criação do facebook veio atrapalhar o mundo provocando as nossas emoções de querer exibir o que temos, o que comemos, o que conduzimos, com quem namoramos, nossos filhos, nossos amigos, nosso amor falso pelos outros, nosso feminismo, nosso machismo e o que vestimos… A maior parte dessa exposição é através da imagem digital. Isto em todos meios acuais, são diversos para um ser humano.

Muitos valores não só nas artes visuais, fotografia, cinema e literatura foram perdidos após os acordos gerais de paz, ou seja, os nossos arquivos foram destruídos, somos um povo sem historia, os fotógrafos negros que testemunharam a guerra civil através da imagem têm seus trabalhos sumidos e menos deles se fala, suas famílias sem nenhum conhecimento de preservação, e o governo por sua vez nunca se preocupou. Muitos livros nas bibliotecas foram destruídos, estudantes roubaram e tiravam folhas que tinham capitulo que retratava o trabalho dado pelo professor. No país não mais apoios e nem nenhum tipo de bolsa para artistas.

Hoje em dia, há muitas possibilidades de melhorar as coisas, de reconstruir o futuro e de restaurar a nossa identidade porque há muitos jovens que estão a tentar fazer algo, o problema é, será que estão a fazer de forma correta? Sim, mas há falta de união, gostamos muito de poder, nos abraçamos ao processo de querer ter o nosso nome como fundador e no fim acabamos por fazer coisas iguais e nada dá certo infelizmente.

Portanto. Há um concurso de fotografia que é organizado e promovido pela MK Produções e a Associação de Arquitetos – ARCHIMOZ, com a parceria do BCI – Banco Comercial de Investimentos e apoios da Kulungwana – Associação para o Desenvolvimento Cultural, a Prodata e o .

Este concurso é uma iniciativa louvável, um contributo ao estimulo da motivação a criatividade fotográfica, uma ideia que serve como uma forma de unir fotógrafos através da divulgação dos trabalhos que abrangem outras modalidades. Porém, o mesmo concurso tem um ponto que me deixou muito triste:

“3.5. Após a conclusão da exposição, os parceiros reservam-se ao direito de seleccionar 03 fotografias para seu espólio cultural, sendo as restantes pertencentes ao espólio dos organizadores.”

Primeiro é importante saber separar duas coisas distintas, um concurso não pode ser criado como uma forma de marginalizar a fotografia e os seus fazedores, o concurso serve para promover e não para beneficiar a comissão organizadora em beneficiar-se pelas obras.

– O facto de haver um premio de 15 000 MTS, podia ver particularmente como insulto mas também entendo que devagar se vai longe, sendo a primeira fase quem sabe vai melhorando…

Outro ponto, importante. A obra dos fotógrafos tem edição limitada o que faz com estejam disponíveis para qualquer coleção ou não mas isso não impede que alguém participe num concurso, os tamanhos e os matérias usados para expor as obras não são de coleção. São apenas provas de exposição.

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