Biografia do rapper Azagaia

Biografia do rapper Azagaia

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Mano Azagaia

Nascido a 6 de Maio de 1984, na vila da Namaacha, província de Maputo, o rapper moçambicano, Edson da Luz, mais conhecido pelo seu nome artístico Azagaia, é filho de pai cabo-verdiano e mãe moçambicana. 

Durante a sua infância, leu a poesia de protesto de José Craveirinha e começou a escrever. Aos 10 anos de idade, altura em que seus pais se separaram, passou a viver na cidade de Maputo. Já na capital, o rapper jogou basquetebol nas camadas de formação do Desportivo de Maputo, na posição de base, mas acabou por se apaixonar pela música. Na altura, tinha muitas actividades em simultâneo, e preferiu abdicar do desporto.

Entre os 13 e 14 anos de idade, entrou para o mundo da música pela via da “Dinastia Bantu”, um grupo de Hip-Hop, onde também fazia parte o MC Escudo, com o qual gravaram o álbum “Siavuma”. Contudo, o seu colega começou a trabalhar para um banco comercial e o projecto foi colocado em stand by.

Mais tarde, entrou para a label “Cotonete Records” e lançou, a 10 de Novembro de 2007, o seu primeiro álbum a solo, “Babalaze”, contendo 15 faixas. A obra discográfica contou com a participação do rapper português, Valete.

Trata-se de uma obra de crítica social, considerada polémica, através da qual Azagaia revelou-se como um jovem inconformado com as injustiças sociais no país e com outros problemas que afligem o povo moçambicano.

A polémica de “Babalaze” surgiu depois que foi publicada a música “As mentiras da Verdade”, para a divulgação do álbum, trazendo uma crítica social que há muito não se ouvia. O rapper foi motivo de debates em diferentes grupos sociais, alimentando blogs e conversas de café.

Azagaia na Procuradoria-Geral da República

A 5 de Fevereiro de 2008, deu-se uma greve na capital moçambicana, e Azagaia recebeu uma intimação. O rapper teve que se apresentar à Procuradoria-Geral da República, por causa da música “Povo no poder”, que o artista lançou falando sobre a greve. Mas, não chegou a ser acusado e o cantor deu continuidade ao seu trabalho, sem alterar o teor das suas letras.

Em 2009, foi candidato a deputado para a Assembleia da República pelo MDM, o segundo maior partido da oposição. Contudo, aquela formação política não chegou a concorrer pelo círculo eleitoral da província de Maputo, na qual ele estava afecto. Após diversas afirmações na praça pública, o rapper esclareceu que não fazia parte do partido, que era apenas um candidato para AR. Azagaia referiu que apoiou como alguém da sociedade civil.

Em 2013, lançou o seu segundo álbum intitulado “Cubaliwa” (significa “renascimento” em Sena, língua bantu, falada no centro e norte de Moçambique).

Polémica do Azagaia na TV Miramar

No dia 11 de Junho de 2014, o artista “arrebentou” um escândalo. Tudo começou quando foi ao programa “Atracções”, da TV Miramar, onde tinha ido dar explicações sobre a sua detenção, no dia anterior, por porte e consumo de drogas. Durante o programa, Azagaia preparou a cannabis sativa (suruma) para fumar em directo, mas a emissão foi interrompida. O rapper explicou que a suruma era parte do tratamento tradicional, que estava a seguir.

Contudo, Azagaia foi fortemente criticado na esfera pública, e inclusive o apresentador do programa, Fred Jossias, fora despedido. Refira-se que a posse e o consumo de cannabis é ilegal em Moçambique.

Azagaia doente 

No mês seguinte, o cantor sofreu um forte ataque epiléptico e começou a demonstrar um comportamento estranho à sua personalidade, como estados de confusão mental e de perda de memória. Exames médicos em Moçambique e África do Sul confirmaram um tumor cerebral temporal no lado esquerdo.

Caso não fosse operado com urgência, o cantor de apenas 30 anos, na altura, poderia falecer entre 2015 e 2016. Considerando o custo elevado da intervenção em Moçambique e o provável tempo de espera para realização da cirurgia, através do Sistema Nacional de Saúde, Azagaia foi aconselhado a continuar o tratamento na Índia. Porém, eram necessários 780 mil meticais (cerca de 25 mil dólares norte-americanos), que o cantor e a família não os tinham.

O artista pediu apoio aos fãs, que reagiram partilhando 700 vezes a actualização feita pela empresa gestora da sua imagem no “facebook”, e deixaram mensagens de esperanças para o artista. Foi depois lançada, nas redes sociais, a campanha “Help Azagaia” (Ajuda Azagaia), com um número de conta para a recolha de donativos.

A campanha envolveu gente de várias partes do mundo e foi bem sucedida. Ela resultou em pouco mais de 790 mil meticais, em duas semanas. Em Outubro do mesmo ano, Azagaia viajou para Nova Deli, Índia, onde foi operado, um tratamento que durou duas semanas. Após a recuperação, “Mano Azagaia”, como também é conhecido, voltou aos estúdios. A 30 de Março, dois dias antes do show que marcou o seu regresso aos palcos, disponibilizou uma música, com o título “Renascer”, onde agradece os seus admiradores e a todos que o ajudaram a reerguer-se.

Outras considerações

Para além de rapper, Azagaia é redactor publicitário (tendo feito vários trabalhos para marcas de renome quando estava na agência DDB Moçambique) e actor, tendo já participado em três curtas-metragens: o filme “Mahala”, onde contracenou com Mário Mabjaia; “Traídos pela Traição”, onde fez o papel com a actriz Gigliola Zakara; e “Venenos do Amor”.

Edson da Luz é casado e pai de uma menina. E, actualmente, é um dos rapper mais respeitados em Moçambique e internacionalmente, por pessoas de todas as idades. Mas é também um dos artistas mais censurados. As suas músicas pouco passam nos órgãos audiovisuais públicos. Ele sonha com um Moçambique, onde o Governo consulta mais a sociedade antes de aprovar as leis, um país com níveis de corrupção atenuados e um Estado que paga melhores salários aos sectores fundamentais para o desenvolvimento do país, nomeadamente educação, saúde e agricultura.

Fonte: Revista Biografia

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