Uma carta ao público que vai aos espetáculos de artistas angolanos em Moz

Uma carta ao público que vai aos espetáculos de artistas angolanos em Moz

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Não podemos nos escusar da nossa responsabilidade como público moçambicano no que diz respeito à hegemonia da música estrangeira em detrimento da nossa própria música, porque somos nós quem pagamos e lotamos os Shows dos estrangeiros cá em Moçambique.

Por exemplo, nós moçambicanos somos os maiores patrocinadores da música angolana e devíamos ter vergonha disso! Damos dinheiro aos artistas estrangeiro pra andarem de carros de luxo quando os nossos andam de chapa ou a pé. Tratamos os artistas estrangeiros como verdadeiras estrelas e tratamos os nossos como indigentes. Vocês acham que estamos a ser justos conosco próprios? Isso não vos pesa a consciência? Isso não vos dá vergonha na cara?

Há semanas atrás descobri no facebook um fã clube de Anselmo Ralph aqui composto por algumas manas moçambicanas, quase que vomitava de tão enojado que fiquei. Agora me digam, qual é o cantor moçambicano que tem um fã clube em Angola? Qual é o cantor moçambicano que sozinho já lotou um show na Angola? Qual é o cantor moçambicano que tem actuado com frequência em Angola? Indiquem-me um só, e calem-me a boca!

Nós o público moçambicano precisamos começar a ter vergonha da nossa atitude com relação ao que é nosso. Toda sociedade repugna quando um pai alimenta os filhos da amante ao invés dos seus próprios, mas nós fazemos exactamente a mesma coisa quando damos os nossos meticais ao estrangeiro invés do nacional, nos tornamos uma vergonha como público.

Vamos estimular o trabalho daqueles promotores que se atrevem a apostar no que é nosso, vamos lhes lotar os espetáculos, vamos abraçar com paixão a cada iniciativa sua.

Vamos comprar discos originais dos músicos moçambicanos, vamos criticá-los construtivamente de forma a estimularmo-los a melhorarem cada vez mais, vamos lá enriquecer os nossos músicos e entertainers moçambicanos, ninguém mais fará isso por nós.

Nós o público estamos no topo da cadeia alimentar, e temos a faca e o queijo na mão.

DEUS ACIMA DE TUDO, MOÇAMBIQUE ACIMA DE TODOS!

Moçambique comum, o agente da revolução cultural.

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