Top Tv pode fechar por falta de rentabilidade

Top Tv pode fechar por falta de rentabilidade

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“Vivemos de sopinhas mano!”. É triste mas é a verdade. Nem imaginas o sacrifício que fazemos para sustentar as nossas famílias se continuam connosco é por amor e compreensão”. Foi assim que alguns colaboradores da TOP TV, uma emissora de televisão privada nacional desabafaram junto ao jornal Dossiers & Factos.

Na condição de anonimato, as nossas fontes denunciaram alegados desmandos praticados naquele instituição,  desde injustiças à violação dos seus direitos laborais, confessando que actualmente estão receosos em relação ao seu futuro, devido à situação em que aquela empresa jornalística se encontra.

A Top TV é uma sociedade cujos accionistas, pelo menos conhecidos pelos colaboradores são o empresário José Manuel Langa e o sobejamente conhecido político e ex-ministro moçambicano do então Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Hélder Muteia, que actualmente é alto funcionário das Nações Unidas.

Pelos relatos que colhemos das nossas fontes, a saúde daquela emissora televisiva não é das melhores e pior ainda é que a gestão da mesma não respeita os direitos dos colaboradores.

Os denunciantes disseram ao nosso jornal que estão a sensivelmente nove meses sem salários e o mais preocupante que há colaboradores que estão há pouco mais de um ano a trabalhar naquela emissora sem contrato laboral firmado.

Segundo nos explicaram, os colaboradores nesta situação foram admitidos na condição de estagiários e durante este tempo todo apenas viram a cor valor do subsídio uma única vez, numa data que já se apagou das suas memórias.

A lei do trabalho em vigor no país fixa o período de três meses para o estágio laboral, o que significa que a TOP TV viola este dispositivo legal ao manter os colaboradores em causa por mais de um ano sem contrato.

Trata-se de três colaboradores que actualmente asseguram a emissão e inclusive apresentam programas importantes.

As nossas fontes disseram que aos colaboradores em causa são obrigados a cumprir com as regras vigentes para todos os demais pela empresa, mas em contrapartida não têm contrato e não auferem nenhum tipo de ordenado ou subsídio.

Os denunciantes foram mais longe ainda ao afirmarem que mesmo para os contratados, o salário parece um eclipse solar, ou seja, raramente chega, tanto que agora a empresa tem para com eles, uma dívida acumulada de cerca de seis meses de salário.

As fontes denunciaram ainda que na TOP TV não há férreas disciplinares para os colaboradores e o mais agravante ainda, é que quando “por milagre”, o salário chega, sofrem descontos para a Segurança Social Obrigatória, mas estes valores nunca foram canalizados ao Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).

Actualmente, os colaboradores da TOP TV esperam receber os seus ordenados referentes a alguns meses que não sabem se deste ou do ano passado, somente em Junho próximo.

Quando quisemos saber como é que sustentam as respectivas famílias e como é que se deslocam de casa ao serviço e vice-versa, sem receio e em jeito de desabafo disseram que vivem de “sopinhas”, ou seja, pequenos valores que recebem das fontes que entrevistam, assim como dos artistas que passam pelos programas entretenimento da televisão.

Para além dos pendentes que tem para com os colaboradores ainda no activo, segundo disseram as nossas fontes, a TOP TV tem igualmente dívidas relativas à salários e indemnizações com muitos colaboradores que já deixaram a instituição.

Os colegas continuam a espera de serem pagos os seus salários e as respectivas indemnizações. A promessa era para Março último mas até agora não houve nada nesse sentido e eles sempre vem exigir os seus direitos”, afirmaram as fontes.

Acrescentam que devido à situação em que a empresa se encontra, no ano passado acordaram com a direcção, a formação de uma comissão de reestruturação da emissora, órgão cujo mandato terminou na última semana.

Entretanto, o Dossiers & Factos procurou ouvir a versão dos responsáveis da TOP TV em relação aos problemas levantados.

Reagindo, José Manuel Langa, na de accionista da empresa, confirmou a existência de problemas naquela emissora, atirando a culpa aos gestores que por ali passaram.

Langa disse que muita coisa aconteceu na instituição sem o conhecimento dos accionistas, destacando uma alegada má gestão e suposto desvio de salários dos colaboradores por parte dos gestores.

“São muitos problemas que só tomamos conhecimento quando reunimos com os trabalhadores. Na verdade os responsáveis são as pessoas que fomos confiando como gestoras que acabaram prejudicando os colaboradores assim como a própria empresa”, disse Langa, acrescentando que “ agora estamos a procura de formas de reverter o cenário com a ajuda dos próprios colaboradores mas não está a ser fácil”.

Langa foi mais longe ainda ao afirmar que já se tinha cogitado o encerramento da emissora, mas a pedido dos próprios trabalhadores ponderou-se, dai a formação da comissão que nos últimos três meses liderou a reestruturação da empresa.

Sobre os salários em dívida, aquele responsável refutou as alegações dos colaboradores, afirmando que todos foram pagos.

Sobre os outros problemas levantados, nomeadamente a não canalização dos valores descontados aos trabalhadores ao INSS, limitou-se a dizer que é difícil responder porque os gestores colocados é que são os responsáveis por estes assuntos.

No entanto, de fontes seguras, ficamos a saber que recentemente, num dos encontros, os colaboradores foram assegurados que teriam parte dos salários em dívida em Junho, quando uma das empresas de telefonia móvel que tem contrato de prestação de serviços publicitários com a emissora pagar uma das parcelas do valor referente a estes trabalhos.

Das nossas fontes soubemos também que no ano passado, a direcção da TOP TV havia acordado com os trabalhadores, o pagamento dos salários em dívida de forma faseada, sendo que a primeira seria de três meses de ordenado, o que não chegou a acontecer.

Ademais, desde que este ano iniciou, a TOP TV, segundo informaram-nos, ainda não pagou nenhum salário, dos acumulados durante o ano passado, muito menos dos primeiros três meses do presente.

Fonte: Dossiers & Factos

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