“Stop Músicas Take Aways”- José Xpião

“Stop Músicas Take Aways”- José Xpião

- in Opinião
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Happy couple clubbing at a nightclub having fun dancing

Depois de duas semanas sem escrever nada relacionado ao entretenimento moçambicano volto com este assunto que tem sido debate em várias plataformas, ainda que seja de forma áerea ou mesmo sem noção que estão a tratar disso. Sim, refiro-me a vida de uma música no mercado, o tempo que leva para a sua extinção, numa comunicação simples e popular seria “deixar de bater”.

A denominação “músicas take aways” surgiu no dia 10 de Agosto enquanto conversava com a minha amiga, mulata simpática, Yara da Silva, aliás, foi a própria em jeito de brincadeira que disse: “Devem parar de fazer músicas take aways”

Há vários factores que contribuem no desaparecimento das nossas músicas, que, aliás, somem com muita facilidade, mas neste artigo pretendo apresentar 5 razões das quais são mais visíveis, ora vejamos:

1. Os artistas se deixam levar pelo estilo da época as batidas do momento, e alegam que é dinamismo ou versatilidade;

2. Falta de mapeamento do público, não conhecem seus públicos o que deixa os meus manos a se parecer com baratas, andam de um lado para o outro a procura de sorte;

3. Composições pobres, as vezes certas letras são compostas por 4, 5, ou 6 estrofes, mas do princípio ao fim apenas ouvi-se mesma coisa, coro somente, isso cansa rapidamente o auditório;

4. Momento inadequado para lançar, muitos cantores lançam num momento errado, numa altura em que o mercado está saturado de música, é preciso relaxar e estudar o comportamento do consumidor em relação ao que está a ser bombardeado;

5. Má gestão de meios de comunicação, há muita confiança nas redes sociais e televisões, mas nem sempre isso é eficaz, dificilmente aproximam uma rádio comunitária para deixar suas faixas ou dialogar com “xapeiros” para tocar enquanto transporta passageiros e não só.

Existem fazedores de música que conseguem acertar, calhar ou seja “thomar” bem numa faixa, só que por falta de orientações colocam cheias, muita água no game, pelo que não há capitalização nem retorno do trabalho, os sons batem durante 3 meses depois deste tempo nota-se decadência nalgumas vezes acompanhada de falência.

Uma música take away é aquela que é para satisfazer uma ansiedade, desejo pontual, tal como uma mulher que vende o corpo nos metemos com ela para alguns minutinhos de prazer e a vida continua.

Alguns chamam de comercial, eu questiono se realmente vendem ou apenas fazem barulho nas casas, viaturas e bares porque num restaurante sério dificilmente poder-se-á escutar, tocar asneiras, fazem bem levar as discotecas, onde supostamente o que interessa é dançar, beber, beijar, fumar, tirar calcinhas e sexo, diversão de hoje em dia.

Precisamos também de músicas para marcha nupcial, abertura de sala nas eventualidades, conteúdo de reflexão a caminho da escola, serviço, trabalho assim como boladas.

A terminar quero congratular Ayton Sacur, AZ, Refiller Boy, Karga Pesada, Messias Maricoa, Celso Notiço, Valter Artístico, Nuno Abdul, Lloyd Kappas, e Twenty Fingers. Naturalmente que é possível encontrar outros, porém na memória estão estes, vejo futuro nessa malta.

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