Sobre o uso industrial da capulana no Dia da Mulher Moçambicana (7 de Abril)

Sobre o uso industrial da capulana no Dia da Mulher Moçambicana (7 de Abril)

- in Opinião
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Por: João da Diamantina

Por ocasião da data supracitada assistimos, nas redes sociais, um autêntico festival da capulana e na senda disso houve muitas reações por parte dos internautas.

Das várias reações, as que chamaram a minha atenção foram as de viés crítico, onde pessoas diziam que a capulana deveria ser usada com mais frequência (de dia para noite) e outros diziam ainda que “O DIA TRANSFORMOU-SE NO DIA DA CAPULANA E NÃO DA MULHER”.

Olhando para estes comentários ofereço-me a dizer que não se pode tratar de um assunto destes com leveza e simplicidade, há muitos factores a volta disto e penso até que não serei capaz de arrolar a todos.

1. A INFLUÊNCIA EXERCIDA PELO OCIDENTE ATRAVÉS DE NOVELAS 

Penso que o que suscitou tantas críticas desta índole foi o facto de “jovens mulheres mostrarem que podem usar capulana sem nenhum constrangimento”. Seguindo esta ordem de ideias, a camada juvenil feminina tem por hábito ver novelas sem, às vezes, pensar nas consequências ( negativas ou positivas) que estas podem transportar. Uma das grandes consequências que é notória e digna de ser trazida a este debate é a assimilação da Cultura ocidental. São muitas pessoas que de forma consciente ou não, passaram a comportar-se como autênticos europeus, desde a FORMA DE FALAR, O COMPORTAMENTO E A FORMA DE VESTIR. É nessa última consequência que assentamos o nosso debate. As mulheres absorveram a forma de vestir-se europeu e em algum momento podem ver nesta forma, um modelo de vestir-se.

2.FRACA OU INEXISTENTE PROMOÇÃO DA NOSSA CULTURA

Se formos a prestar atenção, iremos perceber de antemão que, a promoção da nossa Cultura é débil, a nível de emissoras nacionais de rádio e televisão, podemos contar com os dedos da mão as que promovem Cultura nacional, em contraponto, temos as mesmas emissoras que em 24HORAS por dia, passam conteúdo ocidental, sendo assim, não há campo para a Cultura nacional e isto “in últimas rés”, acaba causando graves problemas de identidade.

3. EDUCAÇÃO

Este último factor é o que (na minha opinião), sobrepõem-se aos dois primeiros porque:

a educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através dela que a filha de um camponês se torna médica, que o filho de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais pode chegar a presidente de uma grande nação“. (Nelson Mandela)

Neste âmbito, penso que a educação que se necessita é de cariz cultural, são muitas as pessoas que fazem algo sem ter em conta o valor, não vendo, por isso, a diferença de fazer ou não. Com a educação passamos a ter noção do que é nosso e qual é a importância, abraçamos causas, orgulhamo-nos, e vestimos certas ideologias, no caso, a CULTURA. A falta desta, pode causar fuga para o que os outros já criaram e é o que está a suceder.

Em conclusão, não vejo como mal referente ao uso da capulana nesta data. É até um avanço, para uma juventude que não punha, criar “um festival da capulana”. É nossa tarefa, a partir de agora, conscientização à juventude sobre o uso e importância ou até mesmo valor da própria capulana. Penso ainda que isto pode ser um começo. A capulana está na periferia para os jovens agora, pode ser esta forma dela se fazer ao centro, tal como aconteceu com O PANDZA e outros movimentos.

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