O lado “B” do Coke Studio África do ponto de vista de um telespectador

O lado “B” do Coke Studio África do ponto de vista de um telespectador

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Por: João da Diamantina Modderno

Coke Studio África é um Reality Show de índole musical, onde vários artistas de África e não só juntam-se para uma possível troca de experiência, onde os mesmos produzirem músicas e são apresentadas no mesmo em forma de “Show”.

É notório o nível que este programa apresenta, e não é de se contestar, trata-se de um patamar muito alto que até é digno de “Corot” que até há um certo privilégio dos artistas que participam, dado o gabarito que o mesmo tem, e tenho a certeza que mundialmente é “aceite”. Mas atrás deste lado “A” existe um lado “B”, trata-se de alguns aspectos que provavelmente terão passado desacautelados na visão de muitos “adeptos” deste programa musical.

Pela mensagem que o programa passa, (spots publicitários etc) era suposto que o mesmo promovesse a cultura africana para o resto do mundo com o intuito de “colocar África no mapa do mundo”, mas não é o que a realidade mostra a meu ver.

Este programa parece não impulsionar a música africana como vem disseminando aos quatro cantos, se formos a reparar com atenção, já participaram artistas de vários países neste programa, mas eles são obrigados a “dançar ao ritmo da casa”, vou explicar em exemplos simples: dos cantores moçambicanos que participaram, temos por exemplo: Hernâni da Silva, Lizha James, Mr.Bow, Neyma etc. Se formos a reparar, estes cantores, cada um tem um estilo característico, mas quando eles chegaram ao programa dançaram ao ritmo do Coke Studio, não vi Rap que Hernâni tem feito, não ouvi Marrabenta (Neyma), agora com Mr.Bow não ouvi nenhuma marrabenta, muito pelo contrário, para quem diz estar com a identidade da música moçambicana voltou infectado com os ritmos do Golfo da Guiné.

Dai que surge a seguinte pergunta, será que é promoção de música africana? O conveniente para mim seria, cada um trazer o que tem para nutrir-nos em conjunto, mas não vi nada disso. Ademais, será que em Moçambique não existe produtor com capacidade de participação do próprio? Se houve algum produtor que tenha ido ao programa contam-se as vezes que o acontecimento deu-se. Da mesma forma que apresenta-se artistas de vários países há necessidade de se variar de produtores musicais, O outro facto, é de eu ter ficado a saber que os artistas convidados a participar, não são pagos! Através das representantes deste programa num dos canais televisivos nacionais. Citando: “eles não são pagos porque não trata-se de nenhum concurso”.

Para mim, é um absurdo total não pagar-se os artistas que participam, sob arrazoada do programa não ser concurso, primeiro, cura-se de um concurso de um alto patim como o supramencionado, segundo, pelos ganhos que os mesmos podem ter, os artistas estão no programa em representação de uma marca multinacional, será que não há ganhos que estes artistas trazem à marca? Estou ciente das vantagens que os artistas têm em participar, mas eles não sobrevivem de “obrigado”, há um paradoxo, há uma valorização por cima de uma desvalorização. Há uma frequente participação de artistas norte americanos, surge uma outra pergunta nesta óptica, será que cantores como Jason Derulo, Trey Songz não são pagos? Será que fazem este tipo de parcerias por caridade?

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