Músicos nacionais cantam Eduardo Mondlane e os 45 anos da independência

Músicos nacionais cantam Eduardo Mondlane e os 45 anos da independência

- in Eventos, Notícias

Por ocasião do centenário de Eduardo Mondlane, Herói Nacional, o homem que trocou os livros pelas armas para libertar o seu povo, o Ministério da Cultura e Turismo proporcionou momentos de exaltação dessa figura singular da nossa história através de um espetáculo musical que foi transmitido nas páginas do Facebook do Ministério, da Televisão de Moçambique e da Galeria de Maputo, neste sábado (20/06).

Viva a independência nacional!

Essa foi a frase de grito de liberdade do Presidente Samora Machel, a 25 de Junho de 1975, no majestoso estádio da Machava, na cidade de Maputo, pelas 0h, convidando a milhares de vozes presentes e ausentes a entrarem no coro de liberdade e alegria, de tomar pelas próprias mãos as rédeas do Rovuma ao Índico, do Zumbo a Maputo. Nesta altura as manifestações culturais entoavam canções de alegria pelas residências, ao som dos chocalhos, das congas, dos batuques, das violas de lata, das guitarras, do rádio Xirico e dos gira-discos o povo remexia velhos hábitos e costumes das festas tradicionais. Era a exaltação da nossa existência como povo cultural. Hoje é essa cultura que apresenta os nossos traços, as nossas vivências, os nossos hábitos, as nossas lutas contra a dominação. Hoje a cultura perdeu o público e o calor, perdeu o cheiro da terra sendo compassado pelo povo em apoteoses. São desafios existentes na nossa cultura que a cada ano de aniversários somos acometidos pela alegria da nossa arte, que leva aos dançarinos a transpirarem a cada movimento contraído, os músculos são exibidos a cada performance, a voz do vocalista principal soa com qualidade nas enormes aparelhagens do palco, as coristas exibem seus passos e repetem a letra no coro da programação. Enquanto a bateria transmite uma sintonia de batidas, a máquina fotográfica vai flechando as recordações. É alegria de ver o remexer da Júlia Duarte, aquela beldade de mulher moçambicana que derrama suor de exaltação da independência ao som de suas músicas com mensagens de união ao amor e amizade. António Marcos de tenra idade, não deixa de ensinar sua dança naqueles membros frágeis de velhice, quem não fica de fora é a banda K10 no fecho do espectáculo apresentado uma peça do presidente Samora Machel. Mário Mabjaia recordou o primeiro presidente da Frelimo num texto que discerniu seu lado poético.

VOZES QUE MARCARAM O ESPECTÁCULO

Ministra da Cultura –Etelvina Materula

Esta é uma data que não pode passar despercebida, ano passado celebrou-se os 50 anos da morte de Eduardo Mondlane, este ano celebramos o seu nascimento, o governo não pode deixar de celebrar Mondlane. Mas do que membro do partido Frelimo é o fundador deste partido que dirige o destino da nação e que libertou este país, por isso temos todos motivos para o celebrar. Para a independência tínhamos previsto muitas actividades para celebrar os 45 anos da independência, tivemos de reduzir as actividades, e queremos recordar que o presidente Samora Machel sempre usou a cultura como forma de manifestar nossa existência, vamos continuar com espectáculos digitais até o fim da pandemia. 

Deltino Guerreiro – músico 

Para mim é um privilégio fazer parte desta festa e ser parte dos artistas que vão abrilhantar este momento tão importante para Moçambique, é sinal de reconhecimento do meu trabalho e motiva-me a lutar e a fazer valer a minha música e do norte do país. É um desafio e experiência ímpar, as circunstâncias assim o exigem, ficará na história e vai ser estranho, mas o público vai sentir pelo calor que vou propor. As palmas serão por todos dados, e o homem adapta-se. É um desafio que agarro com duas mãos. A minha mensagem é de união nestes dias, Eduardo Mondlane tinha um dos grandes objectivos: a unidade nacional. Quero apelar a essa unidade e sensibilizar a cada moçambicano com o que está acontecer em Cabo Delgado, sinto-me em guerra, sou de lá, e ver familiares a perderem tudo, é uma dor difícil de sarar. Vamos nos importar com todo o Moçambique e não só uma parte dela. A luta contínua e sintam-se amparados. A luz da esperança não se apagou.

Filomena Maricoa – cantora

É especial estar aqui fazendo parte da homenagem a Eduardo Mondlane e a independência nacional. 

Júlia Duarte – cantora

É mais um ano da nossa independência e um número mas sugestivo para o festejarmos, mas cada um em sua casa, vou ter de actuar como se tivesse o público presente, pela situação da pandemia o show será assim, espero que de casa todos possa recebe-lo e aceitar. O Coronavírus vai acabar e a Júlia Duarte voltaram com muita força e novidades, obrigado a todos por estarem connosco e façam a festa em casa.

Roberto Isaias – banda K10

Acho que é um momento eufórico, mesmo com distanciamento social encontramos um meio-termo de celebrarmos de forma virtual a data. Não estamos independentes socialmente por causa do COVID, mas temos a independência soberana e total, a liberdade de termos um país uno e indivisível. Vamos lutando cada vez mais para conquistarmos a independência económica pelo contexto que vivemos, sabemos que é um processo que devemos trabalhar muito politicamente, para podermos comemorarmos a independência dos 50 anos já com uma independência económica e política total.

Lena de Sousa – locutora e apresentadora

É uma honra e privilégio estar aqui, embora neste formato mas devemos saber que devemos nos reinventar devido a pandemia da COVID19. Estamos habituados a celebrar esta data com aquele calor e moldura humana, esta experiência é diferente e estamos ciente que há muita gente a ver a partir da televisão e vários canais da rede social até escutar pela rádio, mas o ideal seria estar perto das pessoas e estar perto do povo, mas temos de respeitar porque a prevenção é a melhor estratégia para afastar a COVID19, por isso vamos ficar em casa e cumprir. A saúde é um bem inestimável, o vírus não anda, nós é que vamos atrás do vírus, vamos cumprir com as recomendações do governo e da organização mundial da saúde, porque a COVID deixou-nos numa situação de incerteza, de insegurança, dor e medo.

Mário Mabjaia – actor e apresentador

É um desafio enorme por várias razões, primeiro pela parte artística, somos um país muito rico a nível cultura, em todas as áreas temos celebridades literalmente, na área da música, dança, artes plásticas e também nesta área de apresentação, cabe-me hoje a tarefa de vir dar corpo a esse evento é uma honra. Acho que as artes têm esse desafio, hoje por causa do COVID, não podemos ter o espectáculo comum e isso obriga-nos a encontrar outras plataformas de manter a comunicação, de manter o espectáculo, o convívio, mas sem colocarmo-nos em situações de alto riscos. É preciso transmitir essas mensagens e é preciso nós nos adaptarmos. Agora a gente vai ao palco e não tem ninguém na plateia e temos de dar aquela força, acho que isso é que faz o actor. Quando passar a pandemia vamos nos perguntar: somos mesmos artistas? Porque causas dessas plataformas. Quando fui contactado um dos pedidos que me deram foi de fazer um stand up, e não me deram tema, então criei um texto com essa figura que é Eduardo Mondlane.

Mr Bow- músico

Este é um momento especial, é uma data especial para mim e para Moçambicanos no geral. Independência significa liberdade, voar, sem limites. Estou muito feliz porque faço parte desta geração independente, e para aqueles que lutaram para que hoje estivéssemos livre. Não importa se não vou cantar com pessoas a minha frente, o importante é que vou cantar como se o público estivesse ali. Temos de admitir. A vida não é fixa, há momentos bons e maus, o importante é que sejamos homens suficientes para nos enquadramos em vários momentos, não estamos felizes nem eu estou, mas temos de saber se enquadrar e saber viver para voltarmos aos nossos habituais. Eduardo Mondlane é uma referência do país é especial recorda-lo e celebrá-lo.

Mister Nhungue-músico

É uma oportunidade ímpar fazer parte deste movimento, recorda que há muitos artistas bons pelo país e eu como representante da zona centro estou mesmo feliz. Para o povo moçambicano é importante imortalizar a figura de Eduardo Mondlane e seguir seus feitos. Representar a zona centro é fruto de muito trabalho e dedicação. É preciso fazer música moçambicana, os jovens não devem seguir tendências do momento, devem seguir a sua identidade e ser fiel. Quando cantamos estilos que todos estão a cantar, corremos no erro de competição e não nos preocupamos com o saber. Isso depois traz maus resultados na sua fama. Ou seja, a fama aparece consequentemente com o seu trabalho e não com competições. Incutir nos jovens a importância da nossa história, através da música é o objectivo claro da música, acredito que conseguiremos transmitir esses factos históricos. Quando fui informado que ia cantar para um público que está em casa, sabia que ia fazer o meu espectáculo normalmente porque o público está presente em casa. Com a qualidade que vimos não podia deixar de dar o meu melhor. 

Neko Nholuleko – poeta

Celebrar o dia de Eduardo Mondlane é sempre um prazer. Estamos a celebrar uma figura que abriu portas para o que o país é e, eu nem fazia parte neste período. Estamos a falar de um fundador que merece respeito pelo mundo e a única forma de prestá-lo homenagem é seguir seus feitos. O meu pacato poema fala da continuidade desta figura. Para estarmos onde estamos hoje é porque alguém existiu e o nosso país sofreu desta existência de luta contra todos os males. Mondlane introduziu um conhecimento para nos libertamos da escravatura colonial e união desses movimentos para dar a entender que todos somos únicos – moçambique. A luta continua neste país jovem que está sendo construído gradualmente para uma política e economia independente.

 

Facebook Comments

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *