Mc roger fala dos 17 anos de carreira e das dividas com o Banco

Mc roger fala dos 17 anos de carreira e das dividas com o Banco

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A CELEBRAÇÃO dos 17 anos de carreira foi o mote para esta entrevista. Mas, longe de atender ao domínio da sua carreira, que ultrapassa as fronteiras de qualquer província para se situar numa dimensão de Moçambique, falar com MC Roger é viajar pelo mundo das artes e da música. Da moda. A conversa decorreu num ambiente ameno. E este MC Roger, que aqui se apresenta, é mais maduro. Mais focado para o trabalho e para a sua família. Aqui ele revela tudo: do início da carreira na televisão aos palcos pisados no estrangeiro. Dos discos. De ouro e de prata. Das amizades com dirigentes. Da marca MC Roger. E dos problemas com a banca. O que o leitor vai acompanhar é a súmula da conversa com este jovem que é um bom conversador. Altivo. E trabalhador. – Quem são os teus melhores amigos. Dentro e fora de Moçambique?                  
-Se calhar tenha mais qualidade do que quantidade de amigos. Acho que é isso que tem que contar nas amizades. E depois, para mim, uma coisa são amigos e outra são admiradores. Os amigos são família e estão consigo nos bons e maus momentos. Agora, os admiradores são só isso. Mas eles merecem muito respeito e carinho. Contudo, essas são pessoas inconstantes e que, por vezes, a sua permanência depende um pouco do momento que estás a atravessar.

 – Destes, quais são aqueles com quem convives? 
– Penso que não seria elegante citar nomes. Mas, tenho amigos, muito bons, que privam sempre comigo, até em momentos mais difíceis da minha vida. Esses são os que mais nos marcam. Também no sucesso temos amigos em quantidade, mas nos momentos maus temos mais qualidade.

 – Sente que como artista exerceu alguma influência nos jovens moçambicanos? 
– Acho que sim. Dei um contributo para a música jovem que hoje consumimos. Primeiro, o tipo dos meus vídeo-clips fez com que qualquer jovem que abraçasse esta área pensasse que seria possível trabalhar para atingir o meu nível de vídeo-clips. Depois, fui dos primeiros músicos jovens a fazer sucesso localmente no meu estilo musical, cantando música para se dançar nos diversos espaços sociais. E até a ganhar dinheiro. Nesse sentido, acho que fiz história, pois provei que era possível ganhar dinheiro fazendo aquele género de música.

 – Como avalia a indústria musical moçambicana? 
– Penso que precisa ser melhor organizada, estar devidamente estruturada porque até pode contribuir para o PIB deste país. Mas, para isso, precisamos acabar com a pirataria, abrindo espaço para que haja investidores na indústria musical. Apesar de existirem músicos que fazem sucessos, não temos ainda discográficas a investir com seriedade nos artistas nacionais. Muitos músicos têm boas músicas e vídeo-clips, mas não CD’s. E se os têm então vendem pessoalmente, o que não é elegante. É chato um artista vender os seus próprios discos. Há colegas que fazem isso, porque o mercado não está bom. E esta é a única alternativa para saberem que vão vender o número de exemplares que reproduziram e com isso terão os seus rendimentos. Mesmo assim, não escapam às malhas da pirataria. Os piratas continuam a reproduzir, vender e a ganhar muito mais dinheiro do que os próprios artistas.

  Tem ideia de como se pode combater a pirataria? 
– Da mesma forma que as Alfândegas combatem a fuga ao fisco também poderia haver um envolvimento mais forte e mais duro das autoridades governamentais, particularmente policiais. Depois podíamos ter um mercado mais organizado e flexível de venda de discos. Assim, as editoras iriam pagar os seus impostos, os artistas ganhariam dinheiro, também pagariam impostos e descontariam para a segurança social. Era mais dinheiro entrar nos cofres do Estado através de uma indústria musical devidamente organizada.

 – Afinal, os nichos de pirataria são conhecidos… 
– Exactamente. São muito bem conhecidos. Mas, o trabalho não é fácil. Vivemos hoje num mundo global, com várias ferramentas tecnológicas e de redes sociais onde facilmente se baixam músicas. Há dez anos tinham que andar a copiar discos em sistemas limitados, hoje os mecanismos evoluíram bastante. O combate à pirataria precisa do envolvimento de todos.

 – Este ano completa 17 anos de carreira. Como espera celebrá-los? 
– Pretendo organizar um espectáculo no qual espero ter todos os artistas que me acompanharam ao longo desses 17 anos. Seria uma espécie de MC Roger & Amigos, pois considero que os que me acompanharam são meus amigos. Seria muito interessante juntar todos esses colegas para cantarmos temas que são autênticos hits. E boa parte das minhas músicas fizeram bastante sucesso. Umas mais que as outras, mas é evidente que alguns temas são clássicos da música moçambicana. Esta celebração, que será ainda neste Verão, não se limitará a celebrar apenas com músicas antigas, mas tenho algo novo, como faço quando chega este período. Vou apresentar três singles. Um com a participação de uma jovem moçambicana e talentosa, que é a Scarlet, e o outro com Mr. Bow. Esta música era de apoio à campanha de Filipe Nyusi, e que fez sucesso nas caravanas. Depois trabalhei-a fora deste contexto e ela promete ser um novo hit

  “Patrão é Patrão” fez história – Como avalia estes anos de carreira?
– São 17 anos feitos de muita luta. Eles são o resultado de muita persistência e empenho. Mesmo com muitas dificuldades encarados sempre acreditei que podia vencer. E assim me fiz. Consegui me impor e hoje sou esta referência. Este espírito de luta e de sacrifício pode servir de referência para os mais novos.

 – Porquê sempre apostou em colaborações com outros músicos? – Foi sempre na perspectiva de dar, por vezes, visibilidade a alguns artistas talentosos, mas não eram muito conhecidos. Por exemplo, a jovem Scarlet canta muito bem, mas não é muito conhecida. Me dá orgulho quando consigo ajudar outros artistas talentosos a se projectarem e terem outras oportunidades. Também colaboro com artistas famosos, o que acontece quando me identifico com os seus estilos musicais. Mas isso já virou moda em todo o mundo. Vemos muitos músicos a fazerem parcerias e a produzirem coisas muito boas.

 – Portanto, isso deita por terra a ideia de que, sozinho, o MC Roger não se aguenta. É isso?
 – Isso surgiu no início da minha carreira em que algumas pessoas questionavam as minhas capacidades. Falaram muito quando cantava com Mr. Arsen. Depois essa ideia caiu em terra porque quando ele deixou de cantar comigo fiquei mais famoso. Melhorei os meus níveis. Até porque os maiores sucessos obtive-os depois de ter deixado de cantar com Mr. Arsen, por opção dele, pois queria fazer uma carreira a solo. Eu simplesmente respeitei. – Do conjunto de músicas que criou até hoje haverá alguma que lhe toca, particularmente? – Gosto de quase todas, mas a música “Patrão é Patrão” me toca. Esta música fez história, pois, pela primeira vez em Moçambique duas telefonias móveis chegaram a entrar numa “briga” como consequência dela. Tudo começou quando uma das operadoras fez um spot com esta música e depois a outra também fez um outro a dizer: “Chefe é Chefe”. Seguiu-se depois aquela história de que quem nomeia o chefe é o patrão. Esta música foi feita num dos momentos mais altos da minha carreira. Estava numa operadora e depois fui contratado por uma outra, tal como se faz normalmente com jogadores de futebol. Foi interessante. Acho que o país nunca tinha assistido a uma situação de duas grandes instituições disputarem por causa da imagem de um músico. Esta música me marcou muito.

 – A quem era dedicada? 
– Em especial ao Presidente da República, Armando Guebuza, pelo facto de ter conseguido fazer a reversão da HCB para Moçambique, o que foi considerado uma segunda independência. E é especial ainda porque o próprio homenageado gostava dela. Lembro-me que numa das passagens do final do ano, em que tive a oportunidade de estar presente na Residência do Presidente da República, a única música que ele dançou foi esta. – Na sua opinião, que papel tiveram as operadoras de telefonia móvel, na dinamização da música em Moçambique? – Desempenharam um papel extremamente importante. Promoveram artistas e criaram oportunidades de eles ganharem dinheiro. Por exemplo, a mcel a promotora destes contratos. Isso impulsionou a música feita por muitos músicos jovens. Valorizou a música moçambicana. Conseguiu colocar artistas num nível nunca antes visto e permitiu que eles ganhassem dinheiro, celebrando contratos de cedência de direitos de imagem para fins publicitários. Depois nisso entrou a Vodacom. –

  Eu me considero feliz. 
A vida de um artista é feita, naturalmente, de altos e baixos. Não conheço nenhum que só tenha tido momentos altos na sua carreira. Como ser humano e artista também tenho isso. Mas, no cômputo geral, faço um balanço positivo. Tenho um disco de prata, dois de ouro e tantas outras distinções. Acima de tudo destaco o facto de ter um público que me segue e que me é fiel. Independentemente do que possa acontecer ele está lá comigo.

 – E qual é o nível de produção ao longo desses 17 anos?
 Sem falar de colectâneas, tenho 12 álbuns gravados e quase 30 vídeo-clips e ainda um DVD “Best of”.

  Relação com a família Guebuza 
 – Surgiu na praça a ideia de que MC Roger não se dava com a família Guebuza. Teve ou não problemas com esta família. Deixou de ser amigo dela?

– Isso não corresponde à verdade. Se há uma das famílias que eu tanto preso é a família Guebuza, que também me apoiou bastante. Pode ser que alguém, mal intencionada, tivesse esse desejo, mas isso nunca aconteceu porque nunca dei motivos àquela família para não ter uma relação saudável comigo. E até hoje tenho um grande apreço pela família, particularmente pelo Presidente Guebuza, que o conheci antes de assumir esse cargo. Eu o tenho no coração, por ser um visionário. Moçambique tem que acarinhar Armando Guebuza pela obra, visível, que deixa. Ademais, se alguém esteve fora do país por alguns anos e hoje descer no Aeroporto de Mavalane vai ficar deslumbrado com a quantidade de infra-estruturas que são um orgulho para qualquer moçambicano de bem. E não podemos ignorar que tudo isso foi feito na era em que Armando Guebuza conduziu os destinos do país. A minha admiração por ele tem também a ver com a sua capacidade de fazer as coisas acontecerem.

 – Teve alguma ligação empresarial ou institucional com a família Guebuza? 
– Não. Mas quando criei a minha organização, a MC Roger Iniciative, que tem como objecto de acção a promoção dos direitos da criança e da moçambicanidade, o Presidente da República e a Primeira-Dama me ajudaram a materializar esse sonho. Uma pessoa que está consigo em acções positivas em prol do desenvolvimento da moçambicanidade e dos valores da Nação não pode ser olhada doutra forma senão admirá-la.

 – Em relação à Primeira-Dama, Maria da Luz Guebuza, e os filhos. Circularam rumores de que já não entrava no Gabinete Primeira-Dama? 
– Nunca escondi o carinho que tenho pela Primeira-Dama, Maria da Luz Guebuza. Tenho uma relação muito boa também com os filhos, que são meus amigos. Se conheci o Moçambique real foi graças à Primeira-Dama, através de convites que me eram feitos para cantar nos distritos que ia visitar. Sem o apoio dela dificilmente teria chegado e ou conhecidos esses locais, pois não há capacidade para se organizar concertos. Ela ia lá para conhecer a realidade nacional, lutando contra a vulnerabilidade infanto-juvenil, procurando promover os direitos da mulher e o respeito pelas pessoas idosas, para além de trabalhar para combater a desnutrição. Essas viagens permitiram-me eu ser mais moçambicano, passar a falar com mais propriedade e ter mais orgulho pelo meu país e pelos seus dirigentes, bem como saber o que canto e como falo, pois conhecia a realidade. E uma mulher que, pela sua personalidade e todo o seu contributo na mitigação do sofrimento das crianças, jovens, idosos e mulheres, só pode ser admirada, enquanto procuramos ajudar para que o seu trabalho seja mais conhecido pelos demais. Não há como não se dar bem com uma personalidade desta natureza.

  – O que acha que terá acontecido? Donde terão surgido os rumores de que MC Roger já não se entende com a família Guebuza, sobretudo com a Primeira-Dama e seus filhos? 
– É preciso entender que às vezes nos darmos bem ou sermos amigos de pessoas da dimensão de um Chefe do Estado ou de uma outra personalidade como a Primeira-Dama e os seus filhos cria ciúmes e inveja em muita gente na sociedade. Mas, os artistas têm muito mais facilidade de serem amigos de personalidades desta dimensão. Em qualquer país do mundo, se eu fosse tão popular como sou, teria amizades desta dimensão, pois pertencemos a uma classe especial: a artística. E muitos procuram destruir isso.

  – Portanto, é tudo mentira?
– Claro que é tudo mentira. Nada disso corresponde à verdade. Gente de má fé andou a criar essas mentiras só para me atingir e sujar o meu nome e, certamente, o da família Guebuza.

  Amizade com Filipe Nyusi e filhos – Como surge a sua relação com Filipe Nyusi?
 Para que não digam que eu estou a bajular, quero contar que conheci Filipe Nyusi como Ministro da Defesa Nacional, através da informação. Depois a relação reforçou-se quando a minha filha começou a frequentar uma creche que ficava próximo da casa dele. E a partir daí tive o privilégio de o ver quase todos os dias quando ia deixar a menina. Quando nos cumprimentávamos ele sempre arranjava um tempinho para saber sobre mim e a minha família, isto muito longe de imaginarmos que um dia ele seria candidato à Presidência da República. Mas, mesmo assim já o admirava e o respeitava. Fora deste quadro, é uma pessoa que tem uma forte veia artística e acarinha os artistas, o que fez com que tivesse uma admiração enorme por ele, para além de que ao ver quase todos os dias durante um ano não tinha como não se estabelecer uma amizade entre nós. Depois disso descobri que ele é irmão de um amigo meu, o Casimiro Nyusi, bailarino e coreógrafo.

 – Como foi parar na campanha de Filipe Nyusi? – Sou membro do Partido Frelimo há vários anos. E, por via disso, surgiu-me um convite do Gabinete do Candidato da Frelimo, Filipe Nyusi, para fazer parte da caravana de campanha eleitoral, o que me honrou bastante. Isso aconteceu numa altura em que, como artista, não estava no activo, mas com Mr. Bow já tinha feito uma música, cujo título é “Vota Nyusi”. A música foi muito bem acolhida, pois enaltece o legado de Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano e Armando Guebuza. Por outro lado, fiz campanha para os Presidentes Chissano e Guebuza, daí que seja natural fazer também para Filipe Nyusi.

 – Que ganhos isso trouxe para si?
– Mais do que qualquer outra coisa, integrar a caravana do candidato da Frelimo permitiu-me privar com tantos fãs e admiradores que nunca me tinham visto na vida. São pessoas que conhecem as músicas, sabem da existência do MC Roger, mas nunca tinham estado comigo. Fui ao encontro do meu público. Acabei fazendo duas coisas interessantes: passar a mensagem do candidato Filipe Nyusi e a importância de se votar nele, e também cantar para o meu público. 

É amigo dos filhos de Filipe Nyusi? 
– Sou amigo dos filhos. São também pessoas extremamente simpáticas. Já privamos e nos encontramos sempre que possível. Como jovens, escutam a minha música. Também por esse motivo que expliquei anteriormente era natural que acontecesse essa ligação e hoje são pessoas com quem privo e nos damos muito bem.

  As dívidas com a banca – O músico MC Roger tem dívidas com a banca? 
– Agradeço por me colocar essa questão. Assim como acontece com muitas pessoas neste país, como jovem e trabalhador é natural que eu solicitasse os serviços da banca. Até porque eles convidam pessoas para acederem a créditos de habitação, consumo, entre outros serviços. A partir do momento em que reúnas garantias eles emprestam dinheiro. Estamos a falar de uma coisa normal num país moderno… e “tiro chapéu” às nossas instituições, pois ajudam o país a desenvolver-se…

 – Qual é o ponto de situação da sua dívida? 
– Eu solicitei – não vou dizer se muito ou pouco – um montante a uma determinada instituição financeira, com a qual até hoje tenho um carinho especial. E, a partir daí, assinamos um acordo, em que eu apresentei garantias bancárias. E sabe-se que estas são accionadas em caso de algum incumprimento, passando os seus bens a favor da instituição financeira.

 – Foi o que aconteceu consigo? 
– Mas esse não é caso para muito barulho, pois acontece todos os dias com muitas pessoas boas e a vários níveis, pois, repito, os bancos estão ali para emprestar dinheiro a quem quiser. E também está estabelecido nos contratos o que pode acontecer quando não se cumprem os acordos.

 – E aconteceu que MC Roger pediu um crédito e não cumpriu. Será isso? 
– O que eu posso dizer em poucas palavras é que felizmente o assunto está com os meus assessores jurídicos e muito bem encaminhado. A qualquer momento terá um desfecho. Perdi alguns bens –

  Mas, diga-nos, terá, por via disso, perdido alguns bens?
 Perdi sim alguns bens. Mas, isso é algo que fazia parte do nosso acordo. E sabemos que os bancos nunca emprestam dinheiro a quem não tem nada. Agora estou no processo de solução desta situação.

 – O que acha que deu errado neste processo. Houve algum projecto que estava a desenvolver e que foi contra as suas previsões? 
– Eu solicitei esse crédito com base na garantia de um contrato que tinha. Só que o mesmo acabou não sendo renovado e alargado por mais tempo. Esta situação baralhou os meus planos de honrar os compromissos com a banca. Eu estava a trabalhar e a ganhar dinheiro e em função do meu contrato, com promessas de que seria renovado, solicitei um empréstimo bancário, contando com o que iria auferir. Mas, por azar, isso não aconteceu.

 – Mas, a “Voz Popular” tentou associar os seus problemas com a banca aos possíveis problemas que MC Roger tinha com a família Guebuza. Falou-se muito disso nas redes sociais. Pode nos dizer a verdade?
 – Isso é mentira. Eu conheço a família Guebuza há muito tempo. Jamais faria qualquer coisa com o intuito de perseguir seja quem for. Muito menos eu. Esta família jamais faria algo para prejudicar seja quem for. Eles não são pessoas dessa estirpe e nem precisam fazer isso. A família Guebuza não faz e nem faria nenhuma maldade dessas. Sabendo que tenho algum problema, a intervenção dessa dos Guebuzas seria no sentido de me ajudar a resolver isso e não prejudicar. O Presidente Guebuza é bastante sensível. Gosta de ver os jovens a crescerem, a evoluírem. Eles jamais fariam isso. Os que andam a inventar isso fazem-no por malícia e estão a tentar prejudicar a minha boa relação com a família Guebuza.

 – Olhando para tudo o que está a acontecer à sua volta, terá a sensação de que alguém o está a perseguir ou a tentar prejudicar a sua carreira? Sente que algo que está a ser movido contra si?

– O que posso dizer é que se, em algum momento senti que alguém estivesse a tentar prejudicar-me, então deixei esse pensamento para trás. Prefiro entregar-me a coisas boas, estar focado em Deus, pois tenho fé nele. Não vou levar toda a minha vida pensando que há gente que tem como missão combater-me ou destruir-me. Seria muita maldade alguém não perceber que me prejudicando também destrói toda a minha família, que precisa de um pai com saúde e com trabalho para apoiar-lhes a desenvolver o seu potencial criativo, educá-las e ajudá-las a crescer e fazerem parte do futuro deste país. Se em algum momento alguém teve esse intuito de me prejudicar só posso lamentar e dizer que eu sou da paz. E não me vou focar nisso, mas sim no trabalho porque tenho esposa e duas filhas para sustentar e uma carreira por consolidar, para além de um público que me segue. O que mais sei fazer é promover Moçambique pela positiva, cantar e encantar as pessoas, através da música.

 – Esse barulho prejudicou a sua carreira profissional? – Abalou-me bastante. Mas, acima de tudo, é preciso sempre manter a fé. Em algum momento fiquei triste com toda a informação que saia por aí, grande parte dela que não reflectia a verdade dos factos. Deixou-me mais triste ainda por ter atingido aquilo que é o meu maior bem: a minha família. Sobretudo por saber que as informações estavam misturadas com mentiras grosseiras, calúnias e difamação. Coisas como irem ao ponto de associar os problemas que tenho à família Guebuza. Isso é de pura maldade. E o que prova isso é que no casamento da Valentina Guebuza fui convidado e estava sentado numa zona privilegiada com figuras importantes. Se eu tivesse algum problema com os Guebuzas nem teriam me chamado para esta cerimónia.

 – De que forma pensa em ultrapassar esta situação? – Eu sou uma pessoa extremamente focada. Estou a trabalhar nos meus projectos e a gravar novas músicas. O que aconteceu não vai me impedir de continuar a dar o meu contributo no desenvolvimento de Moçambique e a promover a moçambicanidade. Mesmo tendo passando por momentos difíceis o meu discurso não mudou. Continuo a ser um moçambicano com muita auto-estima, preocupado em enaltecer o que há de melhor no país, fazendo a minha parte para que as pessoas tenham as mesmas oportunidades, onde o que se produz possa beneficiar a todos e trabalhar para que este seja um país cada vez melhor.

  A marca MC Roger 
 – Para quando o registo da marca MC Roger?
 – Isso é algo que tenho vindo a pensar e a ser muito pressionado a fazer, na perspectiva de Merchandising. E já estamos a trabalhar nisso com os meus conselheiros.

 – E como iria viabilizar essa marca? 
– Emprestando, por exemplo, o nome MC Roger para camisetes, sapatilhas, perfumes, bebidas entre outras coisas. As pessoas sabem que tenho um bom gosto na forma de me vestir, por isso, me aconselham a ter roupa de marca própria… e quando eu compro roupas boas não estou a gastar, mas sim a investir, pois o meu patrocinador tem que olhar para mim e dizer: esta figura tem uma imagem que, gostando-se ou não, ninguém fica indiferente a ela.

 fonte: Jornal noticias

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