Kapulana: uma aliada no combate a Covid-19

Kapulana: uma aliada no combate a Covid-19

- in Opinião
E como diria Dj Faya, usando a voz da Rainha da Sucata “Está comprovado”, que o mundo está parado, e não se fala em mais nada a não ser da pandemia do Coronavírus ou Covid-19, e se quisermos, num sotaque moçambicano, “Couve de dezanove”. Basta que ligue a internet, televisão ou rádio. O assunto é o mesmo.
O vírus está agora por quase todos países, e porque ainda não há um antídoto certeiro, seguir com as recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e de instituições nacionais da saúde, como é o caso da lavagem das mãos com água e sabão, tem sido a aposta de todos para o rápido controlo, seguindo-se actualmente o uso colectivo da máscara em locais que se registe aglomeração populacional, cá (Moçambique) tornou-se de caracter obrigatório.
E porque no continente africano não há kits suficientes, exemplo de máscaras, o africano, aliado a essas dificuldades, é convidado a ser criativo e talvez concordar com Charles Darwin que é preciso adequar-se a situação que somos colocados e através dela criar uma forma de continuarmos vivos, e é aí onde entra a Capulana: uma aliada no combate a Covid-19 “a espécie que não se adapta a terra, morre”.
Em Moçambique, a luta contra a pandemia começa a ganhar um cunho nacional. O que poderia resultar numa inculturação da identidade chinesa (o uso de máscara) de mau-gosto ou forçado, tornou-se em algo mais representativo e local. Tudo tem a sua génesis, a partir  do momento em que o moçambicano olhou para aquilo que o identifica, pegou  e tornou numa aliada para juntos e bem próximos lutarem face à pandemia, fabricando máscaras caseiras ao preço que vai de encontro a realidade do país (35, 50 ou 75 meticais, dependendo da esquina, e que pela produção massiva, há possibilidades dentro de dias custar 3-100, recorrendo a um símbolo identitário, herdado dos asiáticos em tempos das trocas comerciais, que é a Capulana/Kapulana, ignorando qualquer outro tipo de pano.

Uma máscara, uma lembrança
Aqui estão todos de capulanas e nem é xiguiane- cerimónia respeitada pelo desfile em alta de linhas de capulana que as vezes só são vistas ali. E com estado de emergência vigente, que congelou a realização dessas actividades, é na máscara que o moçambicano encontra uma forma de lembrar os bons tempo, num fortalecimento da resiliência e esperança de que, do que hoje só restam boas lembranças,  amanhã será para reviver com todas emoções possíveis.
Uma máscara que conta história

Não são só trapos com um design para proteger a boca e o nariz, aqui se escolhe o trapo, ninguém quer colocar uma mascara que não comunique, deve ser uma com Karinganas para transmitir ao outro que possa estar a dois metros distância. Uma que fecha ou proteja a boca e os lábios, mas que deixa claro que a felicidade ainda esta presente ou, infelizmente, o contrário.
Aqui não se compra a máscara só para enfrentar o vírus. Dos desenhos, riscas, cores e ou estampas que fazem da capulana o pano que nos representa, compra-se a esperança, o futuro, um estado de emergência de que bons dias virão e tudo voltará a ser como antes, com abraços e os beijos nas bochechas à nossa maneira e numa boa.
São máscaras que carregam consigo a exaltação da moçambicanidade e a africanidade, uma amostra, ainda que talvez tênue, da contínua preservação da diversidade cultural em Moçambique via estampas no tecido.
Em Moçambique, a forma de fazer face a Covid-19 deixou de ser universal, ganhou um cunho moçambicano.

Facebook Comments

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *