Em entrevista, K9 esclarece tudo sobre a polémica com Yanick Afroman

Em entrevista, K9 esclarece tudo sobre a polémica com Yanick Afroman

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O hip-hop lusófono esteve um pouco agitado nos últimos dias, isto devido a polémica que envolve o rapper moçambicano K9 e o rapper angolano Yanick Afroman.

Tudo começou quando K9 disse que Yanick Afroman era o “pior rapper a nível dos PALOPs“, o que gerou muita polémica e o rapper angolano não perdeu tempo, respondeu a provocação, o público também não ficou atrás, opinou e “lançou muitas pedras” ao K9.

Para esclarecer tudo sobre a polémica, o Moz Entretenimento fez uma pequena entrevista ao K9, onde o rapper explica tudo, aos mínimos detalhes sobre este assunto que dominou e continua dominar as redes sociais em Moçambique e Angola principalmente. Acompanhe.

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ME: O que é ser rapper?
K9: Ser criativo com hip-hop, ser solidário com a sua comunidade,  independentemente do flow ser mau ou não, o conteúdo, alguma mensagem terá que ser transmitida para educar,  dançar, festejar ou mesmo relatar  comportamentos, a poesia, as rimas, enfim, a sua responsabilidade social.

ME: Afinal de contas quem é o melhor rapper?
K9: Não existe o melhor porque hip-hop actualmente faz com que cada tenha sua identidade e suas qualidades.

ME: Quem é o pior rapper?
K9: Logicamente que o pior seria aquele que não tem nenhuma qualidade como rapper, se o mc tiver alguma qualidade a contribuir no hip-hop claro que deixa de ser o pior.

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ME: O que acha do Yanick Afroman?
K9: O Afroman, é um rapper de longa data com um CV (Currículo Vitae) de ouro e uma personalidade forte, é um exemplo a seguir no rap PALOP, é pai grande, merece mais reconhecimento e respeito que muitos outros rappers.

ME: Então Porquê disse que Y. Afroman é o pior rapper dos PALOP’s?
K9: Na verdade o K9 sempre será um rapper muito frontal com um propósito, a sua intervenção pode não ser perfeita (pois eu faltei respeito) mas sempre com algum motivo e objectivo.

Afroman nunca será o pior rapper, está longe disso, mencionei Afroman assim como podia ter usado qualquer nome de qualquer angolano. Foi tudo programado, pedi a todos bloggers (holla a Moz Entretenimento e Platina Line), pedi aos mídias em geral que fosse feito esse barulho, foi um teste muito arriscado pois era de se esperar que todos explodam pela atitude. E esperei que Afroman tivesse uma atitude humilde e por acaso ele sim teve uma boa atitude apesar de ter sido irónico em relação ao uso da bandeira de Moçambique, se o problema é entre dois, que se resolvesse sem puxar um público, mas ainda bem que ele o fez, pois assim viria a reacção dos moçambicanos. E foi o que foi. Afroman foi só um nome que usei para no fim de tudo saber como os  moçambicanos reagiriam. Todos gastaram seu rico tempo com uma frase fútil,  frase ofensiva, estúpida e arrogante e nunca gastaram rico tempo em alimentar a alma de muita música nacional (já se consome muita musica nacional, mas sabem muito bem de que valorização falo, de haver shows só Moz, sem sempre precisar de convidados estrangeiros aqui já não existem muitos shows “grandes”  de rap nacional por causa do medo e acontece duas ou três vezes uma vez por ano, falo de shows como exemplo ainda existem outros factores).

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Pois no final de tudo 80% dos moçambicanos além de valorizarem quem é de fora, só dá atenção aos seus compatriotas, quando eles erram, pior quando ofendem alguém que nem é de Moçambique, primeiramente se for angolano é defendido com unhas e garras. Eu decidi errar, decidi ter uma atitude tão baixa somente para provar algo que já  alonga-se a mais de 20 anos que moçambicanos têm que valorizar seus artistas, sem precisar de imigrar para começar a ser apreciado.

Moçambicano tem um talento de ouro assim como os angolanos, a única diferença está aí, nas condições e na valorização. Nisto eu vou lutar que até mude, até não respirar mais, lutarei para se enaltecer a cultura.
Em relação à minha atitude, não farei mais esta estupidez. Quando  lancei “Facas” ninguém esteve do meu lado e depois com o tempo começaram a dar razão. Esta minha atitude também será apedrejada mas um dia perceberão o fim de tudo. As vezes temos que sangrar para provar as reacções (os que matam um próprio assassino são de Deus?).
Se eu ofender e tu me ofenderes de volta, aí não haverá diferença entre eu e tu, estarás a provar que és como eu.
Aquelas mesmas pessoas que criticaram minha atitude nunca postaram música moçambicana ou seja poucas vezes (exemplo da questão de Liloca, ridicularizam mais a novela da vida do casal Bowito, os “shares” que fazem das fofocas são mil e os “shares” das musicas são 10).

ME: Dizem que K9 está na rocha ou quer aparecer ou que quer ganhar fama!
K9: Aparecer sempre apareci, desta  vez com a MLP então esse comentário não tem factos que prove os argumentos.  MLP está a dar o “boost” ao K9 e ao Bilimbao, MLP está no activo e sendo bem aderido graças a Deus o nosso projecto está atingir os objectivos que é moçambicanizar o nosso hip-hop e nossa musica em geral. Agora isso de ganhar fama é relativo porque fama existe, só que sempre vou preferir um fã que sempre estará para perceber seu ídolo e apoiar do que mil fãs que aplaudem quando marcas golo.
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ME: Como fica a situação dos que se sentiram ofendidos?
K9: O que sempre pedirei é desculpas, difícil perdoar mas sempre pedirei desculpas, não faz parte de mim fazer algo sem motivo e reconheço meu erro mesmo até antes de o fazer (risos).
Desculpa a todos que sofreram com este acto, vamos lá curtir musica moçambicana, que o moçambicano saiba carregar a sua bandeira sempre com orgulho sem esperar que o Afroman o faça. Paz e amor e viva a musica africana.

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Assim foi a pequena entrevista com K9, onde o rapper explicou tudo sobre a polémica dizendo que não passou de um “teste” para os moçambicanos e deixou bem claro que Yanick Afroman é um grande rapper.

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1 Comment

  1. Olha K9, esta cena é natural (…) em Angola passamos por situações deste género, sobretudo com a música Cabo-Verdiana na sua idade de ouro (…) mas entretanto, nunca fizemos comentários xenofobistas que já vi alguns músicos e apresentadores de televisão ai de Moçambique fazerem… o que quero dizer, a nossa música sempre teve grande pontecial, mas o factor guerra que viviamos no passado separava-nos a todos. Agora com a paz todo o Angolano acredita na potencia que sempre existia, e que só faltava um ”boost” tal como dizes na entrevista, para chegarmos aonde estamos. Volto aqui a frisar, não culpem os Angolanos de algum mal que esteja acontecer com a vossa múcica (…) aqui em Angola se a tua música conquistar audiencia, podes crer que serás uma estrela (…) não separamos nada nem tudo… apenas consumimos o que tiver grande qualidade.
    È natural que faças tal comparação, mas atenção, não olha para nós os Angolanos assim como os Sul Africanos costumam fazer aos africanos que no seu país encontram oportunidades de trabalho e de formação, alegando que estão lá para lhes roubar os seu direitos (…) ok fizeste um teste, tudo bem, agora trabalha faça música e verás que estarás lá no top… quanto a nós, já levamos a carruagem muito mais além sem vaidade e arrogancia nenhuma. Directamente da Vila Alice, Luanda, eu Arquiteto Salomão Francisco e consumidor de música clássica e contemporanea desejo-lhe sucessos sucedidos no vosso projeto MLB e que venham aqui na minha banda, porque verdade seja dita, aqui na N’guimbi passam os bons…

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