Glass Gamboa é um rapper de verdade e não é um “copy-past”

Glass Gamboa é um rapper de verdade e não é um “copy-past”

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Por: João da Diamantina

Antes de entrar para aquilo que é a minha asserção, pretendo dizer que estou ciente do que posso vir a ter como reações perante este artigo, tanto pelo lado negativo como pelo positivo. Destaco duas repartições ou ramificações dentro do Rap. O rap que é feito com vista a mudança de comportamento na sociedade (intervenção social) e o que geralmente a questão de intervenção social passa ao segundo plano, é feito para diversão. É neste segunda partição que me irei alicerçar.

Glass Gamboa dentro dos padrões do Rap que faz é um rapper de verdade e não copy paste. O que tenho visto é que os que considerarem-se rappers são os que fazem copy-past dos outros artistas.

De que copy-paste tanto falo? Muitos “Rappers” copiam fielmente o que é feito nos outros quadrantes havendo apenas mudança sob ponto de vista de língua, daí que encontramos a diferença entre Gamboa e muitos Rappers. Enquanto nos outros encontramos a língua como factor diferencial, no Gamboa encontramos a língua nacional, expressões e muitas vezes este artista procura mostrar realmente acontece no contexto moçambicano.

A nível de língua

Não é novidade que este usa changana para se expressar nas suas músicas, facto que muitos podem olhar com desdém mas em contrapartida alguns Sul-africanos que são muito idolatrados por moçambicanos, fazem o uso das suas línguas nativas como é o caso de artistas como: EMTEE, K.O e CASPER NYOVEST.

A nível de expressões 

É rotineiro o uso de expressões comumente usadas na gíria juvenil como: Phandar (correr atrás), Lhengar (associar) entre outras, tendo em conta que cada camada na sociedade tem expressões típicas, o uso delas numa música, pode unir pessoas.

Sobre o que acontece na realidade moçambicana

É também recorrente para os artistas que fazem copy-paste retratarem assuntos que não tem nada a ver com a realidade que vivem, não estou a dizer que é mau e que não podem o fazer mas o que adianta dizer que tem um milhão no banco e muitos carros na garagem enquanto dia seguinte estará na paragem a espera do chapa? Ao contrário destes, podemos encontrar nas músicas de Gamboa a realidade moçambicana tendo o mesmo como personagem principal. Este trata da Realidade nos seguintes termos com intervenções como: Todos os dias ponho o pé na street, estou no hustler desta Tcheda, Tsika Vafana va Tlanga (deixe os miúdos brincarem), Hinkwalhu hi Yentxaka wa Pfaletela ( tudo que fazemos tentas “barrar”)

Estas frases são uma evidência da realidade moçambicana nas musicas deste Rap, a primeira (Todos os dias ponho o pé na street, estou no hustler desta Tcheda), sugere alguém que todos os dias vai a procura do “pao” conforme a formação das sociedade moçambicana, a segunda (Tsika Vafana va Tlanga) deixe os miúdos brincar, este está ligado de certa forma ao sentimento de “inveja”, ou seja, a ideia de “qualquer coisa que fores a fazer há sempre uma oposição alguém que vai se opor a tudo que iras fazer, a dita, pedra meu sapato”.

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