Cláudio Ismael, um músico místico

Cláudio Ismael, um músico místico

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Se, por um lado, nos dias actuais, as dificuldades enfrentadas pelos jovens para a sua afirmação nas artes tendem a ser a principal causa da sua desmotivação, por outro, a contrapor as reclamações dos outros artistas, muito recentemente, o artista Cláudio Ismael venceu três prémios no Mozambique Music Awards (MMA) referente ao ano de 2014. Em entrevista ao @Verdade, ele afirma que os galardões são o reflexo de perseverança, de dedicação e, acima de tudo, de muita fé.

A história de Cláudio Ismael, nascido na província de Nampula, é igual a de vários jovens que surgiram de programas cuja pretensão é formar e desenvolver capacidades artísticas nas pessoas que pretendem abraçar a música. Trata-se uma iniciativa que já fez emergir diversos talentos na (nossa) Pérola do Índigo.

No referido certamente, com três meses de duração, os 30 participantes – neste caso para cada edição – são confinados numa academia, onde aprendem diversas formas de compor e de interpretar temas musicais. Cláudio Ismael diz-nos que, pese embora ele seja a “cara” do sucesso, alcançado, diga-se, em pouco tempo relativamente às suas expectativas, os resultados alcançados durante o seu percurso na música devem-se aos seus fãs e aos seus amigos. Descubra porquê nas linhas a seguir.

@Verdade: Há quanto tempo se dedica, profissionalmente, à música?

Cláudio Ismael: Comecei a dedicar-me, profissionalmente, à música desde o ano de 2010, mas muito antes disso já gostava de cantar e interpretar temas de ícones dos ritmos moçambicanos.

Na verdade, o amor pela música surgiu ainda em tenra idade mas devido à vergonha que eu tinha nunca actuava em público. Por essa razão, quando decidi participar no “Fama Show” me inscrevi sem que ninguém soubesse e graças a Deus deu certo. Consegui persistir até a gala final e ocupei o quinto lugar.

@Verdade: Fale-nos mais da sua história?

Cláudio Ismael: Depois de algum tempo a cantar e a tocar guitarra, em Nampula, na companhia de um amigo chamado James, vim a Maputo, onde me inscrevi na sexta edição do “Fama Show”. Mas logo que terminou o concurso voltei para Nampula para concluir os meus estudos. Estranhamente, mesmo depois de realizar os exames, continuei a dedicar-me à música. Geralmente, actuava em todas as quintas-feiras à noite numa casa de pastos chamada “Sex Up”. Fazia disto o meu trabalho diário, mas sem ter a certeza de que, realmente, era o que queria para toda a vida.

No entanto, num certo dia, conheci Zico da Silva. O momento foi tão especial para mim, de tal sorte que me deu a sugestão de continuar a cantar, pois tinha um futuro brilhante. O músico disse-me também que, caso precisasse de qualquer coisa, tinha de vir a Maputo. Na verdade, custou-me acreditar porque, para mim, Zico era mais do que um artista, mas um espelho. Uma figura que me inspira. Por essa razão, confesso que ele foi a causa dessa vida e da crença de Cláudio Ismael.

Acreditei no desafio, cheguei na capital moçambicana e comecei a trabalhar com um amigo chamado Mito. Aliás, ele é mais do que amigo, mas sim um irmão. Mito foi quem me ajudou a prosseguir com os projectos que tinha e deu um novo estilo as minhas músicas.

Inicialmente eu não queria fazer Kizomba porque não gostava do género e começamos por fazer R&B, mas, ao longo da masterização, Mito transformou o género musical. Mas, Graças a Deus, comecei a ganhar a aceitação do público e de pessoas que me apoia(ra)m em todos os momentos.

@Verdade: Que dificuldades enfrentou para a sua afirmação na música, em Maputo?

Cláudio Ismael: É verdade que o meu percurso musical não só foi feito de alegrias, mas o que me deixou mais revitalizado foi o facto de saber ouvir. Para aprender é preciso que se seja humilde. Por isso, de todos os momentos vividos, poucos foram os maus. É evidente que desenvolver actividades artístico-culturais em Nampula chega a ser um sacrifício. Na terra onde nasci não há facilidades de promoção dos artistas.

É difícil ter um espaço para exibir o seu trabalho, dar entrevistas à rádios, jornais e televisões para que o artista seja conhecido e, consequentemente, venda o seu trabalho. Por exemplo, quando comecei a produzir as primeiras músicas, tinha o plano de, logo, publica-las, o que não aconteceu porque as pessoas que me acompanham e me orientam reprovaram a ideia, defendo que não era a melhor altura para aparecer. Portanto, tive que esperar um ano para começar a lançar as composições.

@Verdade: O que significa para ti e para todos os que te acompanham vencer os três prémios no MMA?

Cláudio Ismael: A verdade é que esses prémios são resultado de todo o trabalho feito por pessoas que gostam de mim. Então, todos nós ganhamos. Além do mais, estes galardões sãos incentivos para que, de uma vez por todas, lancemos o primeiro disco compacto.

@Verdade: Quando é que foram produzidas e o que versam as duas músicas com as quais venceu no MMA?

Cláudio Ismael: A música “Promessas de Amor”, feita inicialmente no estilo “Bossa Nova”, foi transformada em Kizomba por Bagas e Mito. O tema foi feito em 2012. Por outro lado, temos “A Tua Escolha”. Para a composição desta música tive ajuda de Leo e Young Marley. O trabalho é uma história dolorosa sobre a minha vida. Foi feita em 2009 e só foi lançada em 2013.

@Verdade: Para além do disco compacto, que projectos têm para o futuro?

Cláudio Ismael: Na verdade, não há mais nada além do lançamento do CD. Quero dar um passo de cada vez. Por enquanto o único desafio que tenho como artista e brindar os meus fãs com um trabalho discográfico. Felizmente, já consegui ter uma editora portuguesa que aposta no meu trabalho. Não vou avançar as datas, mas brevemente a obra estará no mercado.

fonte: @Verdade

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